50 “provas” de que Deus é imaginário – REFUTADAS

27 maio

RETIRADO DO BLOG http://www.respostasaoateismo.com/

TEMOS AQUI 4 respostas propostas pelo autor do Blog e todas unificadas em apenas uma
Olá leitores. A sugestão para este post veio de um leitor [ateu] através da página do Facebook: 

Andre Denofrio, 29/03/2012
“Olá sou ateu, porém gostaria de respostas em relação ao meu ateísmo…
http://godisimaginary.com/
Podem contra argumentar de maneira sólida, procuro um REGISTRO PONTO A PONTO que refute esse site…”

Eu visitei o site mencionado, dei uma lida em cada uma das provas (acreditem, são textos MUITO extensos, acho que no final eles acabam te convencendo a ser ateu simplesmente por cansaço), e desde então estive preparando uma análise destes cinquenta argumentos que supostamente provam que Deus é imaginário.Para conhecimento, deixarei aqui a lista dos argumentos:

Deus é imaginário – 50 provas
    1. Tente rezar;
    1. Analise estatisticamente a oração;
    1. Olhe para todos os deuses históricos;
    1. Pense sobre a ciência;
    1. Leia a Bíblia;
    1. Reflita sobre o plano de Deus;
    1. Entenda a ilusão religiosa;
    1. Pense sobre Experiências de Quase Morte;
    1. Compreenda a ambigüidade;
    1. Veja o prato de ofertas;
    1. Note-se que não há provas científicas;
    1. Veja a magia;
    1. Dê uma olhada na escravidão;
    1. Examine os milagres de Jesus;
    1. Examine a ressurreição de Jesus;
    1. Contemple as contradições;
    1. Pense em Leprechauns;
    1. Imagine o céu;
    1. Observe que você ignora Jesus
    1. Observe a sua igreja;
    1. Compreenda o cerne da mensagem de Jesus;
    1. Conte todas as pessoas que Deus quer matar;
    1. Ouça a doxologia;
    1. Pergunte por que a religião causa tantos problemas;
    1. Compreenda a evolução e a abiogênese;
    1. Observe que o autor da Bíblia não é “onisciente”;
    1. Pense sobre a vida após a morte;
    1. Observe quantos deuses você rejeita;
    1. Pense na eucaristia;
    1. Examine o sexismo de Deus;
    1. Compreenda que a religião é superstição;
    1. Fale com um teólogo;
    1. Contemple a crucificação;
    1. Pense no seu plano de saúde;
    1. Note a miopia de Jesus;
    1. Perceba que Deus é impossível;
    1. Pense sobre DNA;
    1. Contemple a taxa de divórcio entre os cristãos;
    1. Perceba que Jesus era um idiota;
    1. Compreenda as motivações cristãs;
    1. Jogue uma moeda;
    1. Ouça quando “Deus fala”;
    1. Perceba que um “Deus escondido” é impossível;
    1. Pense em uma dona de casa cristã;
    1. Considere a Arca de Noé;
    1. Reflita sobre a Aposta de Pascal;
    1. Contemple a criação;
    1. Compare oração a uma ferradura da sorte;
    1. Olhe quem fala de Deus;
    1. Peça a Jesus para aparecer;

      Bônus:

    2. Compare Deus e Baal;
    1. Assista a seu Ministro, Pastor ou Padre.
    1. Pense sobre o casamento na Bíblia.
Cada um destes pontos é desenvolvido num texto que faz toda uma argumentação. Analisando superficialmente, o autor do(s) texto(s) tem uma ascendência claramente neo-ateísta e cientificista. E como os meus leitores sabem, eu estou muito longe de ser um fundamentalista anti-científico. Isto torna as respostas que eu tenho para dar a estes argumentos ainda mais interessantes.
Antes de começar com as respostas em si, eu pesquisei rapidamente na internet e constatei que já existem algumas respostas a este site. Por exemplo, aqui o Ph.D. em Teologia Robin Schumacher argumenta que não importa se o site tem 50.000 argumentos ou “provas” contra Deus, tudo que se precisa fazer é usar um argumento lógico, racional e razoável para mostrar que Deus realmente existe, tornando-se assim todos os pontos irrelevantes. O site godisimaginary.com concentra tanto de seu tempo em pistas falsas de problemas com oração e por que Deus não vai fazer truques a pedido, e ignora a questão principal da filosofia e da religião: “Afinal, por que existe algo, ao invés de nada?” Em outras palavras, o site concentra-se em problemas com um jardineiro que eles acreditam ser imaginária e ignora a questão de por que existe um jardim, em primeiro lugar.

Há ainda um apologista blogueiro, como eu, que começou uma defesa contra os argumentos deste site, mas está incompleta (veja aqui – em inglês).

Por questões de organização e conveniência, as respostas serão divididas em quatro ou cinco postagens, a partir da próxima começarei a analisar as 12 primeiras “provas” do site.
A seguir está a análise dos 12 primeiros argumentos do site godisimaginary.com contra a existência de Deus. As citações traduzidas do site estarão marcadas em itálico.
Prova # 1 – Tente rezar

Como podemos provar que Deus não existe? Uma forma seria a de encontrar uma contradição entre a definição de Deus e o Deus que experimentamos no mundo real.

Vamos ver ao longo da argumentação do autor que há vários problemas nas premissas que ele supõe para poder discutir o assunto. Por exemplo, quem disse que pode existir uma “definição” objetiva de Deus? E quando o autor fala em “experimentar”, ele está usando o sentido científico do termo. Quem estuda sobre Deus sabe que por Deus ser transcendente ao mundo físico, é impossível constatá-lo usando ciência, por causa das próprias limitações do método científico. Mas vamos continuar. O autor sugere que façamos uma oração, e em seguida mostra alguns versículos bíblicos para defender seu ponto.

“Querido Deus, todo-poderoso, todo-poderoso, criador todo-amoroso do universo, nós vos pedimos para curar todos os casos de câncer nesta noite planeta. Nós oramos com fé, sabendo que você vai nos abençoar como você descreve em Mateus 7:7, Mateus 17:20, 21:21 Mateus, Marcos 11:24, João 14:12-14, 18:19,  Mateus 05:15 e Tiago 5:15-16. Em nome de Jesus oramos, amém.”


“Peçam, e lhes será dado, procurai e encontrareis; batei e será aberto para você. Pois todo aquele que pede, recebe, e quem procura encontra e àquele que bate será aberto. Ou o que o homem de vocês, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!” (Mt 7.7)
 
“Porque em verdade, vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará, e nada vos será impossível para você.” (Mt 17.20)
 
“Eu lhe digo a verdade, se você tem fé e não duvidar, não só você pode fazer o que foi feito à figueira, mas também você pode dizer a esta montanha: ‘Vai, atira-te ao mar’, e ele vai ser feito. Se você acreditar, você receberá tudo o que pedirdes na oração.” (Mt 21.21)
 
“Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, crede que já o receberam, e ele será seu.” (Mc 11.24)
 
“Eu digo a verdade, alguém que tem fé em mim, fazer o que tenho vindo a fazer. Ele vai fazer coisas ainda maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai. E eu farei tudo o que pedirdes em meu nome, de modo que o Pai seja glorificado com o Pai. Você pode me pedir qualquer coisa em meu nome, e eu o farei . ” (Jo 14.12-14)
 
“Mais uma vez vos digo que, se dois de vós concordarem na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso será feito por eles, meu Pai no céu. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” (Mt 18.19)
 
“E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. Se pecou, ele será perdoado. Portanto, confessem seus pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para que vocês possam ser curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.” (Tg 5.15-16)
 
“Tudo é possível àquele que crê.” (Mc 9.17)
 
“Porque para Deus nada será impossível.” (Lc 1.37)

Depois desta exaustiva enxurrada de versículos sem absolutamente nenhum contexto, surgem as argumentações do autor. Por que uma oração como esta não é respondida por Deus?

Primeiro, façamos distinção entre “oração respondida” e “oração atendida”. Deus pode responder uma oração com um “não”. Isto quer dizer que a oração não foi atendida. Mas isso não entraria em contradição com os versículos acima? Bem, o fato é que estes versículos, e aliás nenhum texto bíblico deve ser considerado isoladamente como uma verdade absoluta. A Bíblia contém um corpo coerente de ensinamentos que deve ser considerado em conjunto.

Por exemplo, a Bíblia afirma que devemos procurar conhecer a vontade de Deus  (Rm 12.1) e contém inúmeros exemplos e ensinamentos de que não se deve agir pelos próprios méritos, mas sempre se ter as ações guiadas pela vontade de Deus e aquilo que agrada a Ele. (Leia Sl 25.4,5; 143.10; Tg 1.5,6; At 16.6,7; Jo 6.28,29;). Eu diria que aquele que tem um relacionamento íntimo com Deus chega ao ponto de perguntar a Deus o que pedir. Afinal, Deus conhece o coração das pessoas, sabe a motivação delas ao pedirem, e ainda sabe quais serão as consequências de dar a aquela pessoa o que ela está pedindo. Tudo isto deve ser levado em consideração.

Mas então o uso da palavra “tudo” nos versículos é errado. Portanto, Deus seria um mentiroso. Há duas coisas a comentar a respeito desta objeção. A primeira é que, independente de ser tudo ou não, Deus pode ter misericórdia  e bondade tais para não conceder à pessoa aquilo que ela está pedindo, se Ele sabe que atender o pedido gerará uma consequência ruim no futuro. A segunda coisa é que há um requisito para que orações sejam atendidas – a fé. A Bíblia afirma que a fé necessária para operação de milagres é um dom sobrenatural, que vem de Deus (Ef 2.8, 1 Co 12.9). Portanto, não é todo mundo que possui fé suficiente para fazer estas coisas. De fato, apesar de Jesus comparar esta quantidade de fé a um grão de mostarda, esta quantidade é impossível de ser alcançada por um humano sem a ajuda do próprio Deus. Aliás, eu acho que a comparação do grão de mostarda não foi em relação ao tamanho, mas sim ao potencial que a fé tem. E não vou discutir se “mover montanhas” é literal ou não, pois acaba fugindo do ponto aqui.

Deve-se lembrar que a Bíblia é um conjunto completo e coerente de ensinamentos, deve-se considerar o que outros trechos da Bíblia têm a dizer sobre o assunto. Leia por exemplo Tiago 4.3: “Vocês pedem, mas não recebem porque pedem mal; para gastar com vossos prazeres”. Perceba aqui que não são todas as orações que necessariamente são respondidas. Existe pelo menos um tipo de oração que nunca é respondida, segundo este texto.

Há um outro texto na Bíblia que é muito claro, e inclusive entra em contradição com a palavra do autor:  “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5.14). Alguém poderia argumentar que esse seria um caso de contradição da Bíblia, já que Jesus diz para Deus dá qualquer coisa e aqui diz para pedir de acordo com a vontade de Deus. Mas eu já disse que os versículos não são verdades isoladas, a verdade está no conjunto de informações da Bíblia. É verdade que Deus pode dar qualquer coisa, mas Ele não dá por exemplo algo que irá prejudicar seus filhos (Leia por exemplo Lucas 11.11-13).  Se a vontade de Deus é o conjunto daquilo que é perfeito e agradável (Leia Romanos 12.2), então Deus nos concede somente aquilo que é da Sua vontade, mas para o nosso próprio bem.

Há ainda uma outra restrição restrição bíblica sobre o que devemos orar. Mt 4.5-7 nos mostra que não devemos usar a oração para testar Deus, nem mesmo se a oração estiver de acordo com alguma outra orientação bíblica. Isto nos mostra que a intenção, no fundo, importa quando fazemos uma oração. Leia a prova # 41, onde eu falo um pouco mais sobre isso.  

O autor implica também com as palavras literais do texto: “nada será impossível para você”. Também respondo a esta crítica simplesmente dizendo que se uma pessoa alcança tal nível de fé, ela terá um relacionamento tão intenso com Deus que ela de fato não usará sua fé para fazer “qualquer coisa”. E volto a frisar que é muito difícil alcançar este nível de fé, ao contrário do que o autor tenta argumentar, sem fundamento. (Sobre algo ser impossível para Deus, leia aqui  sobre a definição de onipotência).
Portanto, concluimos que: (1) há uma diferença entre responder e atender a uma oração; (2) antes de orar, deve-se ter consciência de o que deve-se pedir; (3) Deus pode usar de misericórdia para não atender uma oração que foi feita não se pensando nas consequências que ela pode trazer.
Por último só gostaria de analisar o caso que Ele deu como exemplo: afinal, seria ruim curar todos os casos de câncer no mundo? Se você já leu algo sobre o Problema do Mal, sabe que os cristãos defendem que o Deus permite que o mal aconteça por várias razões. Muitas vezes este mal serve como um ‘catalisador’ para que um bem maior aconteça em seguida. Por exemplo, uma pessoa que se afastou de Deus, adquire um câncer, isto faz ela se lembrar de Deus e assim ela se reconcilia. E note que, mesmo se a pessoa morrer, isto foi na verdade um bem para ela, porque ela morreu alcançando a salvação, que afinal é o nosso objetivo de vida. Assim como eu imaginei esta situação, há várias outras situações possíveis e imagináveis para que um câncer faça parte do plano de Deus. Se Deus atendesse a uma oração dessas, Ele poderia estar mais fazendo um mal do que um bem para pessoas como a do exemplo que eu citei. E finalmente, o exemplo do autor mostra a pessoa orando simplesmente para testar se Deus existe ou não – ou seja, a oração não seria sincera e desinteressada, além de ir contra ao mandamento de não tentar a Deus (Mt 4.6,7).
Prova # 2 – Analise estatisticamente a oração

O fato é que Deus nunca responde as orações. Toda a idéia de que “Deus responde orações” é uma ilusão criada pela imaginação humana .
 
Como sabemos que “preces atendidas” são ilusões? Nós simplesmente realizar experimentos científicos. Pedimos a um grupo de crentes para orar por alguma coisa e depois vemos o que acontece. O que encontramos, quando testamos a eficácia da oração cientificamente, é que a oração tem efeito zero:
  • Não importa o que reza.
  • Não importa se oramos a Deus, Allah, Vishnu, Zeus, Rá ou qualquer outro deus humano.
  • Não importa o que orar.
  • Se executar científicos, duplo-cegos testes em oração, e se as orações envolvem algo concreto e mensurável (por exemplo, curando pessoas com câncer), sabemos que não há nenhum efeito da oração. Cada “oração respondida” single não é nada mais do que uma coincidência. Ambos os experimentos científicos e suas observações cotidianas do mundo mostram que este seja o caso de cada vez.

 Há um problema muito grave com esta prova. De fato, o autor usa um cientificismo para atestar a existência de Deus. Vimos no início que isto não é um método válido.

O método científico foi criado para estudar fenômenos da natureza. E funciona perfeitamente neste escopo, porque fenômenos da natureza são reprodutíveis e obedecem leis matemáticas definidas. Quando estamos tratando de Deus, estamos em primeiro lugar tratando de um Ser que é externo à natureza, e em segundo lugar analisando o comportamento de um ser que possui vontade. Um ser que possui vontade não se comporta deterministicamente. Por exemplo, vamos supor que um amigo seu te vê ao longe e queira te apresentar para um grupo de pessoas. Ele grita o seu nome, se você atender ficará claro para este grupo de pessoas que você existe, e ao ser apresentado elas passarão a te conhecer. Porém, basta que você não queira atender ao chamado do seu amigo para que estas pessoas fiquem sem te conhecer. Isto é, não existe uma lei da natureza que dita que você deve se apresentar sempre que te chamam pelo nome. Assim como não existe nenhuma lei da natureza que diga que Deus responde todas as orações. Portanto, é totalmente inviável fazer um experimento científico desta maneira.

 
Você pode encontrar muitos crentes que vão dizer, “A razão pela qual os experimentos científicos não conseguem detectar Deus é porque Deus deve permanecer oculto. Ele não responde as orações se ele sabe que ele vai ser detectado.”

 Definitivamente eu não sou um destes crentes. O motivo não é este, mas sim o motivo que eu citei acima.

Portanto, como na Prova # 1, uma das duas coisas deve acontecer:
  • Deus é imaginário.
  • Deus existe, mas ele nunca responde às orações. Infelizmente, Deus é definido pela Bíblia para ser um ser que atende orações. A contradição entre a realidade de Deus e da definição de Deus prova que Deus não existe. Oração não funciona, porque Deus é completamente imaginário.
O problema está exatamente aí: o autor usa uma definição arbitrária de Deus, a saber, uma espécie de “máquina de atender orações”. Deus é muito mais do que isso. É um fato que nós não precisaríamos nem orar por nada, já que Deus conhece nossas necessidades e possui um plano para nossas vidas. Eu acredito que oração é mais uma forma de criar e manter um relacionamento com Deus do que simplesmente uma espécie de “fonte mágica dos desejos”.
Prova # 3 – Olhe para os deuses históricos

 
Hoje o “Deus” é tão imaginário como eram esses deuses históricos. O fato de que milhões de pessoas adoram a um deus não faz sentido.
 
O “Deus” e “Jesus” que hoje os cristãos adoram são realmente formados amálgamas de antigos deuses pagãos. A idéia de um “nascimento virgem”, “enterro em uma tumba de pedra”, “ressurreição após 3 dias” e “comer o corpo e beber do sangue” não tinha nada a ver com Jesus. Todos os rituais do cristianismo são totalmente feita pelo homem. O cristianismo é uma bola de neve que rolou sobre uma dúzia de religiões pagãs. Como a bola de neve cresceu, livremente ligada rituais e crenças pagãs, a fim de ser mais palatável para os convertidos. 

 Com certeza essa não podia faltar. Uma das técnicas preferidas do neo-ateu, afirmar que o cristianismo é um plágio de religiões antigas. Eu já escrevi sobre este assunto na postagem “Jesus: um plágio?“.

Não se pode negar que existem elementos do cristianismo que vieram por influência sincretista, e como exemplo eu posso citar a adoção da data de 25 de dezembro e a adoração a Maria e veneração aos santos. Entretanto, pode-se rastrear estas misturas a partir do século III e IV da era cristã, quando o cristianismo torna-se religião oficial do Império Romano e os pagãos passam a ser convertidos à força. Muito desta influência foi rejeitado pelos idealizadores da Reforma Protestante. Sobre nascimento virginal, ressurreição após 3 dias, há uma interpretação meio que forçada dos elementos de cultura pagã para se assemelharem ao cristianismo, pois são apenas superficialmente semelhantes. Meu argumento está mais desenvolvido no link que eu deixei acima.

 Prova # 4 – Pense na ciência

Observe o que acontece quando alguém é “curado milagrosamente”. Uma pessoa está doente, reza pessoa (ou reza oração do círculo para a pessoa) e a pessoa fica curada. Uma pessoa religiosa olha para ele e diz: “Deus fez um milagre por causa da oração!” Que é o fim do mesmo.
 
Um cientista olha para ele de uma forma muito diferente. Um cientista olha para ele e diz: “A oração não tinha nada a ver com isso -. Há uma causa natural para o que vemos aqui Se entendermos a causa natural, então nós podemos curar muitas mais pessoas que sofrem da mesma condição.”

Antes de responder, deixe-me introduzir um conceito primeiro. O conceito de níveis de causa. Por exemplo, se você usa um remédio e este faz efeito, é óbvio que pode-se atribuir a sua cura à ação biológica do remédio. Entretanto, se você pensar um nível acima, por exemplo, se seu primo não tivesse ido à farmácia comprar o tal remédio, você não teria se curado. Portanto, seu primo é uma das causas da sua cura, e você poderia agradecer a ele. No nível mais alto de todos, está Aquele que criou as leis da natureza para que o remédio agisse daquela forma. Daí concluímos que para qualquer coisa que nos acontece, sempre temos que agradecer a Deus.

Vou deixar o autor continuar para poder desenvolver mais.

Em outras palavras, é somente assumindo que a crença na oração é uma superstição e , portanto, Deus é imaginário que a ciência pode avançar.

Toda a ciência funciona desta maneira. Só assumindo que Deus não existe e oração não faz sentido que a ciência pode avançar. A razão pela qual os cientistas devem assumir que Deus não existe para que o método científico para trabalhar é porque Deus não existe.

O autor lançou a clássica falsa dicotomia entre fé e ciência.Se fosse verdade que a ciência só pode avançar quando se deixa a fé de lado, a ciência só poderia ter se desenvolvido numa sociedade ateísta. Mas não é isso que observamos historicamente. A única civilização na qual a ciência experimental surgiu e se desenvolveu foi a Europa pós-medieval cristã. E note que os principais cientistas entre 1600 e 1900 eram cristãos também. Eu já desenvolvi este argumento na série de postagens sobre o livro “A Alma da Ciência“. Homens como Newton, Boyle, Lavoisier, Cuvier, Lineu, Maxwell, e Planck fizeram grandes contribuições ao conhecimento humano, mas sempre reconheceram a racionalidade divina impressa na natureza.

 
Uma coisa que o autor disse é correta: a ciência é por definição naturalista. O cientista, para investigar um fenômeno, deve lidar somente com fenômenos naturais e causas naturais. Mas isto não quer dizer que o sobrenatural não existe. Isto quer dizer que o cientista não tem ferramentas para dizer se o sobrenatural existe! Há muitas coisas que a ciência não possui escopo para explicar (veja o vídeo aqui), e a ciência não é o único meio de gerar conhecimento sobre o mundo. A filosofia, por exemplo, não é uma ciência (na verdade ela émãe da ciência).
Prova # 5 – Leia a Bíblia

Abra [a Bíblia]  numa página aleatória, e você encontra isso:

“Portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor vosso Deus. Guardareis os meus estatutos, e observá-los, eu sou o Senhor, eu vos santifique. Todos os que amaldiçoar pai ou mãe será condenado à morte; ter amaldiçoado o pai ou a mãe, o seu sangue será sobre eles.”
 
“Se um homem cometer adultério com a esposa de seu vizinho, tanto o adúltero e a adúltera deve ser condenado à morte. O homem que se deitar com a mulher de seu pai terá descoberto a nudez de seu pai, os dois deverão ser condenados à morte; seu sangue será sobre eles.” (Textos de Levítico cap. 20)

Esta é uma objeção frequente, principalmente dos neo-ateus, sobre a veracidade do cristianismo. Tirar um texto aleatoriamente fora de contexto e jogá-lo desta forma não é um argumento sério. Deve-se no mínimo tentar entender as circunstâncias na qual isto foi escrito. Ah, mas Deus deveria ter escrito a Bíblia de forma que pudéssemos entender mais claramente… Eu discordo disto, não penso que Deus queria que fôssemos burros. Ele nos deu capacidade intelectual e para aprender qualquer coisa, precisamos estudá-la.

Sobre este texto de Levítico, primeiro note que todo o livro de Levítico é uma coleção de leis para um povo que acabou de se organizar e se prepara para estabelecer numa terra. Os hebreus tinham passado centenas de anos escravizados por um povo pagão, assim eles não tinham a mínima noção de justiça ou coisas do tipo. Por isso, as leis de Levítico tem o objetivo de ensinar aos hebreus a justiça, a nível bem básico mesmo (olho por olho, dente por dente), e também a santidade (santidade significa separação, dedicação exclusiva). As leis dos judeus nos parecem bem discriminatórias hoje em dia, mas no contexto da sociedade daquele tempo não eram, e ainda sim estavam num padrão acima das outras sociedades. Não que o padrão de Deus tenha mudado, mas Ele revelou aos poucos à humanidade a sua verdadeira essência, tendo chegado à revelação plena através dos ensinamentos de Jesus. Por isso o Novo Testamento deixa claro que as leis do Antigo Testamento não eram mais obrigatórias.

Se você é um cientista é ainda pior, e começa com a primeira linha: 


“No princípio criou Deus os céus e a terra …”


Isso não é verdade. No início um evento natural criou o universo como o conhecemos, e a terra não se formaram até bilhões de anos mais tarde. A história da criação em Gênesis é completamente errada. Basta ler Gênesis e você pode constatar isso. Por exemplo, a Bíblia diz que a luz e a escuridão foram criadas depois da água, mas antes do Sol. Todo mundo sabe que o Sol veio primeiro, depois o planeta e sua rotação (que é o que faz com que a luz e a escuridão ocorram diariamente) e, em seguida, a água, e tudo isso aconteceu ao longo de milhões de anos.

O autor não poderia deixar de citar a objeção ao relato da criação em Gênesis. E sobre isto eu tenho muito o que falar, já que é um dos meus assuntos preferidos (meu primeiro texto aqui no blog foi sobre isto, para ler o desenvolvimento completo da minha resposta, veja “Interpretação literal do Gênesis?“).

Primeiro, a Bíblia não é um livro científico. Ou seja, ela não tem nem nunca teve o objetivo de ensinar e descrever fenômenos da natureza. Quem conhece a Bíblia sabe que seu objetivo é relatar a história do relacionamento de Deus com a humanidade através dos tempos e nos ensinar com estas histórias. Segundo, há alguns pontos centrais no Gênesis que merecem destaque: a) A ênfase na creatio ex nihilo, ou seja, criação a partir do nada,  em vez da ordenação de um mundo eterno pré-existente, que era a ideia dos principais povos pagãos – neste sentido a visão de Gênesis se aproxima mais da ciência atual; b) A ênfase na criação de um mundo ordenado e com etapas gradativas; c) A ênfase na criação por um Deus pessoal, em vez de vários deuses. No link acima eu comento sobre o uso da palavra “dias” e outras dificuldades sobre a interpretação de alguns trechos de Gênesis 1 e 2.

Há muitos outros problemas com a Bíblia: o homem não veio de um punhado de pó através de algum ser mitológico. O homem evoluiu de outras espécies como qualquer outro ser vivo através de centenas de milhões de anos. A Bíblia fala sobre um dilúvio universal que cobriu a Terra em 5,5 quilômetros de água e tudo que era vivo morreu, mas sabemos que isto nunca aconteceu. Isso está claro a partir do registro arqueológico. Não houve torre de Babel, onde Deus confundiu as línguas da humanidade.

Sobre o homem ter sido formado do “pó da terra”, isso é facilmente entendível dado que a constituição do homem é dos mesmos elementos químicos que encontramos na terra (carbono, oxigênio, hidrogênio, etc.) – e aliás, isto é uma afirmação surpreendente, já que a ciência só descobriu isto no final do século XIX. E sobre a antiguidade da raça humana, eu falei sobre isto no texto sobre a interpretação literal do Gênesis. Sobre o dilúvio, a interpretação do texto não leva necessariamente a um dilúvio universal, mas é provável que o dilúvio tenha sido local, na região do Oriente Médio. Ao contrário do que o autor disse, há evidências arqueológicas para isto (por exemplo, a camada geológica de limo estratificado presente no Oriente Médio (veja a partir da página 31)) e há teorias de como pode ter acontecido (por exemplo, a hipótese do dilúvio do Mar Negro). Também existem algumas evidências a favor da Torre de Babel (veja aqui).

Pergunte a si mesmo esta simples pergunta: Por que, quando você lê a Bíblia, não te dá um sentimento de reverência? Por que um livro escrito por um Ser onisciente não te deixaria com um sentimento de admiração e espanto? Se você está lendo um livro escrito pelo  Todo-poderoso, onisciente, criador todo-amoroso do universo, você não iria esperar ser chocado pelo brilho, a clareza e a sabedoria do autor? Você não esperaria que cada nova página te intoxicasse com a sua prosa e sua incrível visão espetacular? Você não esperaria que o Autor nos dissesse coisas que os cientistas nem foram capazes de descobrir ainda?
 
No entanto, quando abrimos a Bíblia e realmente a lemos, não encontramos nada disso. Em vez de deixar-nos em reverência, deixa-nos estarrecidos por todo o absurdo e o atraso que ele contém. Se você ler o que a Bíblia realmente diz, você chegará a conclusão que a Bíblia é ridícula. Os exemplos mostrados acima mal arranham a superfície de inúmeros problemas da Bíblia. Se formos honestos com nós mesmos, é óbvio que um Deus “sabe-tudo” não tinha absolutamente nada a ver com este livro.

Aqui o autor usa um apelo emocional mascarado por duas falácias: a primeira é dizer que Deus é o autor da Bíblia. Isto não é verdade. A Bíblia foi escrita por autores, embora tenha sido inspirada por Deus. Isto quer dizer que as palavras usadas partiram da inteligência das pessoas, mas a essência delas é divina. Isto justifica por exemplo a existência de alguns erros de copista ou de tradução que permaneceram até hoje. Mas ainda sim não é verdade que a Bíblia foi adulterada a ponto de ser muito diferente da original, na verdade a Bíblia é o livro antigo mais bem preservado de todos (leia mais aqui). A segunda falácia é a que devemos esperar verdades científicas sendo reveladas pela Bíblia, e eu já comentei anteriormente que isto não é verdade. Mas eu discordo do autor sobre meus sentimentos ao ler a Bíblia. Sempre que a leio, fico maravilhado com suas palavras. Leia por exemplo os evangelhos, os relatos sobre a vida e as palavras de Jesus (que é o tem central da Bíblia) e você verá do que eu estou falando.

Prova # 6 – Considere o plano de Deus

Se Deus é o todo-poderoso governante do universo, seu plano é que mais de um milhão de crianças de um ano morram nos Estados Unidos através do aborto, [porque] se o plano de Deus é verdadeiro, então cada um desses abortos foi meticulosamente planejado por Deus.

O autor usa certo ponto de vista cristão para sustentar um determinismo que exclui a vontade e responsabilidade humanas, se tornando auto-contraditório. Mas de fato o pensamento da teologia cristã tradicional não tem sido assim. Cremos que Deus possui planos, mas isto não quer dizer que o homem não possui vontade própria ou que não possui responsabilidade sobre os seus atos. Por exemplo, a Bíblia diz que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos (1 Tm 2.4; 1 Pe 3.9), mas segundo a própria Bíblia, isto não acontecerá. Portanto, há uma diferença entre vontade de Deus (aquilo que Ele deseja), plano de Deus (aquilo que Ele determina) e ainda entre aquilo que Deus permite que aconteça mesmo sendo a princípio algo ruim aos nossos olhos. Uma das razões pela qual Deus permite que certas coisas aconteçam (que ao meu ver é mais fácil de ser compreendida) é preservar o livre-arbítrio dos homens. Se Deus intervisse milagrosamente em cada caso de aborto que acontecesse na história, e extrapolando, em cada ato de maldade, isto seria equivalente a sermos marionetes sem vontade própria ou responsabilidade pelos atos. Portanto, a coisa soa exatamente o contrário do que o autor está propondo.

Você acredita que os assassinos e estupradores devem ser recompensados? Você acredita que Hitler foi enviado por Deus para matar milhões de pessoas no Holocausto? Você acredita que Deus é a causa direta de cada aborto neste planeta? Você acredita que você não escolhe o seu cônjuge ou o número de filhos que tem? Provavelmente não. Mas isso é o que você está dizendo quando você afirmar que Hitler ou câncer ou qualquer outra coisa faz parte do “plano de Deus.”
Se você pensar nisso como uma pessoa inteligente, você vai perceber que a afirmação “É parte do plano de Deus” é um desses paliativos sem sentido. Quando você se sentar e pensar sobre isso usando o bom senso, a afirmação não faz sentido. Essa falta de sentido nos mostra como Deus é imaginário.

Depois do entediante apelo emocional feito pelo autor, lembre-se do que eu disse acima – Deus permitiu a ocorrência de todos estes males por várias razões – para preservar o livre-arbítrio de quem as praticou, para que através delas ocorresse um bem maior no futuro, para impedir que um mal maior ocorresse no futuro, e tantas outras que poderíamos pensar… não temos que necessariamente limitar nossa visão e enxergar estas causalidades em primeiro plano.

Prova # 7 – Compreenda a ilusão religiosa
 
Existe alguma evidência física de que Jesus existiu? – Não. Ele não deixou nenhum vestígio. Seu corpo “subiu aos céus.” Ele não escreveu nada. Nenhum de seus “milagres” deixou qualquer evidência permanente. Há, literalmente, nada.

Existe alguma razão para crer que Jesus realmente realizou estes milagres, ou que ele ressuscitou dos mortos, ou que ele subiu ao céu? – Não há mais razão para acreditar nisso do que há para acreditar que Joseph Smith encontrou placas de ouro escondidas em Nova York, ou que Maomé montou em um cavalo alado mágico para o céu. 

Você quer me dizer que eu deveria acreditar que esta história de Jesus, e não há nenhuma prova ou evidência além de algumas poucas atestados no Novo Testamento de uma Bíblia que é comprovadamente sem sentido? – Sim, você supostamente acredita nisso. Você usa a “fé” para isso.

Existem evidências históricas da existência de Jesus.O próprio cristianismo é uma delas. O surgimento histórico do cristianismo, através de uns poucos judeus iletrados que de repente começaram a pregar uma mensagem revolucionária com tamanha fé no que pregavam que estavam dispostos a morrer por aquilo, é melhor explicado pela existência do Jesus histórico do que a simples invenção de uma crença. Isto é tanto verdade que a maioria dos historiadores da atualidade concorda com a existência física de Jesus.

Há uma explanação interessante sobre a análise histórica da ressurreição de Jesus. O teólogo e filósofo cristão William Craig publicou um trabalhou sobre evidências históricas da ressurreição de Jesus. Ele também já participou de vários debates sobre o assunto, um deles com o historiador ex-cristão Bart Ehrman. Você pode ver o vídeo aqui (12 partes em inglês).

Prova # 8 – Pense sobre Experiências de Quase Morte

Muitos cristãos encontram no fenômeno de Experiências de Quase Morte a prova de que “Deus” e a “vida após a morte” existe. (…) Será esta uma prova direta de que Deus não existe? Não. No entanto,(…) a EQM (que muitas pessoas usam como prova “incontestável” que Deus e a vida eterna existe) não tem nenhum significado sobrenatural. Nós podemos provar cientificamente que as EQMs são efeitos colaterais químicos ao invés de “porta de entrada para a vida após a morte”, como muitos crentes religiosos afirmam.

Eu nunca defendi experiências de quase morte como uma evidência sobre o cristianismo ou a existência de Deus. Portanto estou livre sobre o ônus de defender-me contra esta acusação.

Prova # 9 – Compreenda a ambiguidade

Vamos imaginar que você tem câncer e que você é um crente. Você ora a Deus por uma cura, você se submete a cirurgia e a quimioterapia, o câncer e não de fato entrar em remissão.
 
O que te curou? Foi a quimioterapia, ou foi Deus? Em outras palavras, há alguma maneira de saber se Deus está desempenhando um papel ou não quando oramos?
 
O problema é que, neste caso imaginado, existe ambiguidade. O cristão crê que Deus respondeu a oração, mas também poderia ser uma simples coincidência.

Como eu já respondi no início da prova 4, existe o conceito de níveis de causa. A princípio, foi Deus quem criou os mecanismos de ação das substâncias quimioterápicas no corpo, portanto Ele poderia ser indiretamente responsável. Mas Ele também poderia ter curado milagrosamente. Eu concordo que fica um pouco ambíguo neste caso atribuir a causa direta. Entretanto, não ficaria tão ambíguo se a pessoa fosse curada sem usar remédios (eu já testemunhei curas assim acontecerem) ou, no caso geral, se a probabilidade de atribuir uma causa natural ao evento diminui. Experiências assim acontecem eventualmente com os cristãos. Eu já comentei na prova 2 que isto não pode ser testado cientificamente porque não é um fenômeno regular, ou seja, não acontece sempre que se ora, por vários fatores, por exemplo o nível de fé ou o plano de Deus envolvido. Portanto esta questão não é tão simples, como o autor propõe.

Prova # 10 – Veja o prato de ofertas

Alguma vez você já pensou sobre o prato de coleta na igreja? Se Deus é real, por que eles têm de passá-lo? 

Agora considere o seguinte: Por que os ministros e diáconos da igreja não se reúnem todo domingo de manhã e orar a Jesus para o dinheiro que precisa? Por que Jesus não responde às suas orações? Por que as igrejas têm de implorar por dinheiro de meros mortais quando há um imortal, Deus todo-poderoso que deve fornecer tudo o que pedir? 

Deus atende as nossas necessidades, mas Ele não é nosso servo (aliás, pelo contrário). Pela Bíblia sabemos que Deus é capaz de fazer o que é impossível para nós, entretanto se Deus nos deu capacidade para fazer algo, é porque Ele quer que o façamos. Assim, eu pessoalmente não vejo sentido em pedir a Deus a cura para um resfriado se (hoje em dia) podemos ir até a esquina e comprar um simples remédio. Ou então pedir a Deus aprovação numa prova para a qual nunca se estudou.

Aplicando o que acabei de dizer ao caso do autor, a igreja possui necessidades financeiras (para manter contas de energia ou água, pagar salários de serventes ou educadores, manter obras de ação social, fazer eventuais reformas na estrutura, etc.), mas isto não é coisa que precise de um milagre para ser resolvida. A igreja é formada por membros, e estes podem contribuir voluntariamente para a manutenção deste gastos. É a mesma coisa que você ganhar salário para o seu trabalho e mesmo assim orar para que o dinheiro das suas contas apareça milagrosamente… mas, você tem o dinheiro! Além disso, pensando em níveis de causa, no fundo é Deus quem fornece o dinheiro, só que Ele usa as pessoas para fazer isso (por exemplo, toca no coração de alguém para que este alguém contribua voluntariamente, e faz com que o dinheiro doado por este alguém não lhe faça falta).


Prova # 11 – Note-se que não há provas científicas


Não há nenhuma evidência científica que indica que Deus existe. Nós todos sabemos disso. Por exemplo:
  • Deus nunca deixou qualquer evidência física de sua existência na terra.

Para mim o próprio Universo existente é uma evidência de Deus. É como é dito em Rm 1.20 e Sl 19.1. A existência de um Universo ordenado e finamente ajustado para a existência da vida humana é, de fato, a base para os argumentos cosmológico e teleológico para a existência de Deus.

  • Nenhum dos “milagres” de Jesus deixaram qualquer evidência física também.

Os milagres de Jesus lidos nos evangelhos geralmente foram eventos finitos e temporários, como curas ou multiplicações. Obviamente que nenhuma evidência física sobreviveria até hoje. Entretanto, eu já comentei sobre a ressurreição de Jesus na prova 7, que é um evento histórico que pode ser evidenciado, como foi por William Craig.

  • O Jesus ressuscitado nunca apareceu para ninguém.

Ele apareceu para dezenas de pessoas, segundo os evangelhos, e depois foi para o céu, onde está até hoje. É um fato curioso que tenha aparecido para várias pessoas diferentes, muitas vezes simultaneamente, e que estas pessoas acreditaram tanto no que viram que defenderam sua crença até a morte, e geralmente mortes horríveis.

  • A Bíblia que temos é comprovadamente errada e é, obviamente, o trabalho dos homens primitivos, em vez de Deus.

Comprovadamente? Seria interessante ver essas tais “provas”. Obviamente? Sim, a Bíblia foi escrita por homens ‘primitivos’ , mas seu conteúdo espiritual é inspirado por Deus.

  • Quando analisamos a oração com as estatísticas, não encontramos nenhuma evidência de que Deus responde orações.
  • Atrocidades surpreendentes, como o Holocausto e a AIDS ocorrem sem qualquer resposta de Deus.

Estes itens já foram respondidos anteriormente.

Note-se que eu não dei realmente nenhuma prova científica para a existência de Deus. Mas claro que não! Como já disse, o escopo do método científico não permite que se façam afirmações sobre algo ou alguém que é transcendente à natureza. O fato de não existirem provas científicas para a existência de Deus não diz nada sobre a existência ou não de Deus, é simplesmente uma consequência do método científico. 

Prova # 12 – Veja a magia
 
Quando você olha para diferentes religiões, vê que elas geralmente contêm “mágica”. Por exemplo:
  • A religião Mórmon contém as placas douradas mágicas, o anjo mágico, as pedras mágicas de vidente, a ascensão mágica das placas ao céu, etc.
  • A fé muçulmana contém o anjo mágico, o cavalo voador mágico, as vozes mágicas, o profeta mágico, etc.
  • A fé cristã contém a inseminação mágica, a estrela mágica, os sonhos mágicos, os milagres mágicos, a ressurreição  mágica, a ascensão mágica e assim por diante.
A presença de “mágica” é um indício claro de algo imaginário. Por exemplo, como sabemos que Papai Noel não existe? Porque (dentre outras coisas), ele tem oito renas mágicas que voam. Como sabemos que João e o Pé de Feijão é um conto de fadas? Porque (dentre outras coisas) a história contém sementes mágicas. Da mesma forma, como nós sabemos que Deus é faz-de-conta? Porque Deus é cercado por magia.

Há uma diferença filosófica entre algo mágico de algo milagroso feito pelo criador do Universo. Uma coisa mágica não possui explicação natural e é geralmente algo que se pode imaginar mas não se justifica. Um milagre de Deus, atribuído não a um deus mitológico, mas ao Deus filosófico, é justificado pela metafísica. O nosso conceito de ‘natural’, é simplesmente aquilo que é observado na natureza. Mas se a natureza foi criada por Deus, o que chamamos de ‘natural’ é apenas um caso particular do conjunto das ações de Deus. As outras ações seriam consideradas para nós como ‘milagres’.

Outra maneira de saber é ler as histórias de eventos mágicos na Bíblia. Há o dilúvio mágico, mas sabemos com certeza que nunca aconteceu. Há os milagres mágicos de Jesus, mas (previsivelmente) nenhum desses milagres deixou qualquer evidência tangível (ver Prova # 14). Há a ressurreição mágica, mas não há nenhuma evidência que já ocorreu e não há razão para acreditar (Veja Prova # 15 ).

Sobre o dilúvio, eu comentei na prova 5 que existe possibilidades e talvez evidências de ter ocorrido. Sobre milagres a ressurreição de Jesus, já comentei nas provas anteriores também.

Deus é idêntico ao Leprechauns, sereias e Papai Noel. Deus é uma criatura mágica conto de fadas. A magia em torno de Deus nos diz que Deus não existe.

Este é o velho argumento ‘Deus é igual a Papai Noel’. Esta é uma falácia de comparação indevida, já que os personagens citados são mitológicos e Deus foi posteriormente desenvolvido e demonstrado como um conceito filosófico fundamental. Este argumento está melhor desenvolvido no meu texto “Por que acreditar em Deus é diferente de acreditar em Papai Noel” e também neste texto do Quebrando o encanto do neo-ateísmo.

Prova # 13 – Dê uma olhada na escravidão 
Aqui estão dez passagens da Bíblia que demonstram claramente a posição de Deus sobre a escravidão: Gn 17.12; Ex 12.43; 21.1,20,32; Lv 22.10; 25.44; Lc 7.2; Cl 3.22; Tt 2.9.

Sobre passagens como estas, há um texto recente aqui no blog abordando o assunto: A Bíblia e a Escravidão. Não tenho muito o que comentar a respeito do assunto, exceto sobre algumas declarações que o autor faz a seguir:

Por um lado, todos nós sabemos que a escravidão é um ultraje e uma abominação moral. Como resultado, a escravidão é agora completamente ilegal em todo o mundo desenvolvido.

É engraçado como o autor, que possui uma clara tendência neo-ateísta, de repente assume uma espécie de moralismo que só é coerente com o teísmo. Se Deus não existe (como ele defende), não existem valores morais absolutos, então não haveria nenhum motivo para afirmar que algo é correto ou não é. Não se pode, de forma coerente, ao mesmo tempo afirmar o ateísmo e defender um argumento para a existência de Deus baseado na existência de qualquer espécie de mal moral.


Por outro lado, a alegação de a maioria dos cristãos é que a Bíblia veio de Deus. Na Palavra de Deus, o “criador do universo” afirma que a escravidão é perfeitamente aceitável. Bater em seus escravos é bom. Escravizar crianças é bom. Separar famílias escravas é bom. Segundo a Bíblia, todos nós devemos estar praticando a escravidão hoje.

Os cristãos afirmam que a Bíblia foi inspirada por Deus. Mas não há nenhuma afirmação vinda diretamente de Deus que diga, com estas palavras, que a escravidão é perfeitamente aceitável, nem que é bom bater em escravos, ou escravizar crianças, muitíssimo menos que deveríamos estar praticando escravidão hoje em dia. Isto é simplesmente um ataque desonesto do autor. Leia todos os textos que ele sugeriu na Bíblia que você não encontrará nada do que ele falou acima.

Aqui é a coisa que eu gostaria de ajudá-lo a entender: Você, como um ser humano racional, sabe que a escravidão é errado. Você sabe disso. É por isso que cada nação desenvolvida do mundo tornou a escravidão completamente ilegal. Os seres humanos fazem a escravidão ilegal, em desafio direto da palavra de Deus, porque todos nós sabemos com certeza absoluta que a escravidão é uma abominação.

Aqui o autor apela para uma espécie de senso moral no leitor, para forçar ao autor a assumir que existe a escravidão é absolutamente errada. Ironicamente, o que ele está fazendo é dando um argumento A FAVOR da existência de Deus! Lembre-se do Argumento moral: assumindo-se que existem valores morais objetivos, chega-se à conclusão lógica e inevitável de que Deus existe.

Muitos crentes argumentarão que Deus tinha de falar desta maneira no Antigo Testamento, a fim de “encaixar” com a cultura dominante. Isto, naturalmente, é bobagem. Na mitologia cristã, Deus é aquele que criou os seres humanos e da cultura humana. Além disso, um Deus que perdoa o espancamento de escravos e a escravidão de crianças a qualquer momento é uma abominação.

Não nego que Deus criou os seres humanos e a moldou inicialmente a cultura humana. Mas depois que o homem pecou e se corrompeu, o mundo se submeteu aos moldes culturais que o próprio homem foi criando com o tempo. A Bíblia afirma isto, ao contrário do que o autor defende. E, pelo menos para mim, o fato de Deus perdoar escravidão ou qualquer coisa que seja não é uma abominação, mas sim uma expressão da verdadeira bondade e justiça de Deus. Mas lembre-se que Deus só perdoa em dois casos: caso a pessoa seja totalmente ignorante a respeito do princípio que violou ou caso ela se arrependa voluntariamente de suas ações (At 17.30).

É interessante analisar que realmente Jesus não falou nenhuma palavra diretamente acerca da escravidão, nem mesmo os apóstolos posteriormente. Podemos ver daí que Deus, em sua sabedoria, sabia que provavelmente estas palavras na época causariam um efeito mais negativo do que positivo, tanto em relação ao escândalo cultural e a revolta das pessoas, quanto economicamente. Mas não se pode negar que os ensinos de Jesus traziam um senso de valor para o ser humano praticamente inigualável às outras religiões, e isto é tanto verdade que à medida que os povos abraçavam o cristianismo, ia-se percebendo naturalmente o quanto a escravidão era nociva e contrária aos princípios cristãos, sendo por isso abandonada ao longo do tempo (a exceção a isso deu-se apenas depois da Idade Média, com a escravidão dos negros, sendo que a principal justificativa foi econômica e embora careça de fontes, a Igreja aprovou, indo contra os princípios do cristianismo).

Um crente pode dizer: “Bem, todos esses versos são do Velho Testamento e não mais se aplicam por causa de Jesus.” Esta linha de racionalização solicita várias perguntas óbvias. Por que o Velho Testamento ainda ser impresso na Bíblia, se Jesus o anulou? A coisa mais importante que esta linha de racionalização perde é que Jesus afirma especificamente que as leis do Antigo Testamento ainda estão de pé. Em Mateus 5 Jesus diz: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem uma letra passará da Lei até que tudo seja cumprido. Portanto, quem quebra um dos menores destes mandamentos, e ensina os outros a fazer o mesmo, será chamado o menor no reino dos céus, mas aquele que  os faz cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.”

Bem, existe de fato uma boa parte do Velho Testamento que não se aplica mais aos dias de hoje em se tratando de leis ou obrigações. Por que elas ainda são impressas? Porque a Bíblia não tem como único objetivo ser uma coleção de leis morais, mas também ela contém conteúdo de interesse histórico (em relação ao relacionamento do homem com Deus através dos tempos), conteúdo poético (como os Salmos, por exemplos) e conteúdo profético (algumas profecias ainda estriam para se cumprir). Eu acho que trechos como as leis de Moisés no Velho Testamento são importantes hoje apenas por esse interesse histórico, para sabermos como Deus se relacionou com os homens no passado. E os textos bíblicos deixam claro que aquelas Leis se referiam exclusivamente ao povo hebreu, enquanto vivia em regime teocrático (Êx 12.1,24; Lv 3.17, 16.31; Nm 10.8; 1 Cr 16.17; etc.) e que deixaram de valer após a ressurreição de Jesus (Rm 10.4; Gl 2.16,21; 3.10,23-25, 5.1-7; Ef 2.15). Quanto ao texto de Mateus, note que Jesus fala “(…) até que tudo seja cumprido (consumado)”; e, uma de suas últimas palavras antes de morrer, na cruz, foram “Está consumado!” (Jo 19.30).

Outros crentes racionalizam que Deus não escreveu essas passagens sobre escravidão na Bíblia. A Bíblia foi de alguma forma corrompida por homens escravistas. Nesse caso, a pergunta óbvia é o seguinte: Se a Bíblia foi corrompida, como podemos saber que partes da Bíblia vieram de Deus e que as quais foram inseridas por homens primitivos? Você não tem absolutamente nenhuma maneira de saber.

Como eu não afirmo nem nunca afirmei isto (e acredito que nenhum cristão sério afirmaria), ignoro este ponto.

Por fim, há um artigo externo que também faz uma ótima exposição sobre o assunto. Você pode acessá-lo aqui.

Prova # 14 – Examine os milagres de Jesus 

Se alguém viesse hoje para você e disser: “Eu sou Deus!”, O que você faria? Sim, você iria imediatamente pedir uma prova. Claro que você faria. E você não iria querer uma prova idiota, mas sim uma prova sólida, tangível.

Bem, se alguém viesse hoje para mim e dissesse “Eu sou Deus”, eu nem acreditaria. 

Por que seria diferente com Jesus? Jesus era um homem que alega ser Deus. Se ele é Deus, então ele deve ser capaz de provar isso de uma maneira real e inimitável. Se ele não puder provar, então, muito claramente, ele não é Deus.

Jesus nunca ficou anunciando aos quatro ventos que era Deus. Os evangelhos o mostram como alguém sempre humilde e discreto, que muitas vezes constrangia as pessoas que ele curou a não contarem para os outros quem os tinha curado (Mt 8.4, Mc 1.44, Lc 5.14). Além disso, Jesus deu provas inescusáveis aos que conviveram com ele, talvez a maior de todas seja a sua própria ressurreição. Estão todas registradas nos evangelhos.

1. Todo mundo já viu todos os tipos de “curandeiros” que podem “curar” os doentes. E todos nós sabemos que este tipo de “cura” é charlatanismo. Se fosse verdade, então não precisaríamos de médicos, hospitais ou medicamentos de prescrição. 

2. Transformando água em vinho… Isso não soa como algo que um truque de segunda feito em um ato de boate? Há uma dúzia de maneiras que você poderia encenar as coisas para aparentemente “transformar” água em vinho. Não há nenhuma razão para que uma pessoa normal aceite um truque de mágica como prova de que alguém é Deus.

A Bíblia fala sobre episódios de cura de cegos de nascença, surdos, paralíticos… eu nunca vi algum charlatão fazer este tipo de cura. E talvez haja jeitos de simular a transformação de água em vinho, mas não do jeito como o relato foi contado no texto. Não foi numa taça, mas sim em vários galões ao mesmo tempo. O que dizer de algo como a multiplicação dos pães por exemplo? Eu não vejo jeito de como coisas como estas serem algum charlatanismo. A acusação do autor é infundada. No máximo, ele pode argumentar que o que está escrito lá é mentira. Ou aquilo realmente aconteceu, ou foi inventado. Mas não há possibilidade de que tenham sido truques.

3. Nenhum desses milagres pode ser testado cientificamente hoje. Nenhum dos milagres de Jesus deixou qualquer evidência tangível para os cientistas estudarem.

Mas isto de modo nenhum prova que Deus não existe. Como a cura de um cego há 2000 anos atrás poderia ser provada cientificamente hoje em dia? Isto simplesmente não faz sentido, é óbvio que não existem provas deste tipo para estes fatos. Seria estranho se houvesse.

Deus, supostamente, já escreveu um livro chamado Bíblia. E Deus, supostamente, já fez todos os tipos de coisas de acordo com esse livro. Deus, supostamente, dividiu o Mar Vermelho, esculpiu os dez mandamentos na pedra, foi para o trabalho de encarnar-se, etc. Então, por que Jesus não (…) deixou para trás evidência real e tangível para que todos vessem?

Jesus não tinha nenhuma obrigação de deixar tais evidências para trás. Na verdade, ele ordenou aos discípulos que anunciassem suas mensagens e que, se fosse preciso, fizessem as mesmas ações que Ele fez (curar os doentes, expulsar demônios, etc.). Que eu saiba, isto tem sido feito até hoje pelos cristãos. É claro que existem casos de charlatanismo, mas não há motivo para afirmar que todos os casos de cura no mundo efetuados por cristãos são falsos. E note que, como eu disse em uma das primeiras provas, estas curas não podem ser estudadas cientificamente porque (1) não são eventos regulares e reprodutíveis e (2) não são uma habilidade ou “super-poder” do curador, mas sim uma manifestação do poder de Deus, que depende da vontade dEle para acontecer; portanto, por uma questão de limitação do método científico.

Só um parêntese: o fato de Jesus curar e nos sancionar a fazer o mesmo não significa que devemos ignorar toda a tecnologia médica existente hoje em dia, o uso de remédios ou qualquer coisa do tipo. As curas são uma ferramenta para fortalecer a fé das pessoas, e não uma forma de erradicar as doenças físicas no mundo. Deus nos deu inteligência e meios para estudar o corpo humano ao longo dos tempos. Muito da medicina e farmacologia moderna foi desenvolvida por cristãos, as primeiras faculdades de medicina da história foram fundadas por cristãos. E cremos que dEle vem o conhecimento de todas estas coisas, e que é uma atitude irracional e inadequada orar para pedir uma cura de algo simples,quando temos totais condições de ir simplesmente à farmácia da esquina e comprar um remédio.


Prova # 15 – Examine a ressurreição de Jesus 
A ressurreição de Jesus depois de sua morte é a prova definitiva da divindade de Jesus. Quase todo mundo conhece a história, que é resumida no Credo dos Apóstolos. Jesus foi crucificado, morreu e foi sepultado. Ele desceu ao inferno. No terceiro dia ele ressuscitou dentre os mortos. Ele subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso.
 
Há apenas um caminho para Jesus para provar que ele ressuscitou dos mortos. Ele tinha que aparecer para as pessoas. Portanto, vários lugares diferentes da Bíblia descrevem aparições de Jesus após sua morte. (…) Quando olhamos para estas passagens bíblicas, há uma pergunta que vem à mente – por que Jesus parou de fazer essas aparições? Por que Jesus não aparece hoje?

A ressurreição de Jesus, além de ser a prova definitiva da divindade de Jesus, é o tema central da Bíblia e do cristianismo. Este tema é tão importante que S. Paulo afirma que se Jesus não ressuscitou, toda a fé cristã é sem sentido e em vão (1 Co 15.14). Eu não acho, no entanto, que seja necessário que Jesus apareça fisicamente a todos os seres humanos para que eles acreditem. Primeiro, porque existem milhões de pessoas que acreditam e acreditaram, mesmo sem vê-lo fisicamente. Segundo, porque a Bíblia afirma que quem recebe a Jesus como Salvador recebe a confirmação interna de sua presença através do Espírito Santo. E terceiro, porque existem meios históricos para investigar se a ressurreição física de Jesus é provável ou não.

O teólogo e filósofo cristão William Lane Craig desenvolveu um extenso trabalho neste assunto, examinando os fatos históricos disponíveis a serem investigados hoje em dia e chegando à conclusão que há boa base histórica para afirmar que a ressurreição de Jesus realmente aconteceu. Se quiser saber sobre as evidências acerca da ressurreição de Jesus, veja a transcrição do debate entre William Craig e Bart Ehrman aqui ou leia o livro O Jesus dos Evangelho: Mito ou realidade?

Prova # 16 – Contemple as contradições 

Uma pessoa racional que pensa sobre Deus não pode deixar de notar algumas contradições surpreendentes. Eles estão em toda parte se você olhar.
 
Aqui está um exemplo muito simples. No dia em que Moisés desce do Monte Sinai com as tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos, ele descobre que os israelitas criaram um bezerro de ouro. Para castigar o povo, Moisés reúne um grupo de homens e toma a seguinte ação no livro de Êxodo, capítulo 32: 

“Então ele [Moisés] disse-lhes: Isto é o que o Senhor, o Deus de Israel, diz: Cada um carregue uma espada e e passem pelo campo de porta em porta, cada um mate seu irmão e amigo e vizinho.  Os levitas fizeram como Moisés tinha ordenado, e naquele dia cerca de três mil pessoas morreram.”

Então… um minuto temos Deus escultura em pedra, “Não matarás”. Em seguida, no minuto seguinte temos Deus dizendo a cada homem desembainhe uma espada e tire a vida de milhares de pessoas. Você não esperaria que o governante todo-poderoso do universo fosse um pouco mais consistente do que isso? Três mil pessoas mortas, trata-se um monte de quebra de mandamento. Obviamente que é uma contradição total. A razão pela qual você encontra contradições como que na Bíblia é porque Deus não existe.

Esta é uma contradição aparente, sobre a qual existem muitos modos de explicá-la. Por exemplo, naquele tempo, o povo de Israel era governado diretamente por Deus, assim Deus o usava como um instrumento para fazer operar a sua justiça. O mandamento “não matarás” foi dado aos homens porque nenhum homem tem o direito de tirar a vida de outro, já que a todos a vida foi dada gratuitamente, e a mesma não pode ser comprada. Somente Deus, por ser o juiz supremo de todo o mundo, e por ser o autor da vida, possui o direito de tirá-la. Naquele momento, Deus deu a sua autoridade de fazer isto aos levitas, apenas naquele caso e por aquela razão. Eles estavam literalmente “matando em nome de Deus”. É óbvio que isto não justifica que qualquer um por aí saia matando homens, dizendo estar fazendo isto em nome de Deus.

De acordo com a Bíblia, Deus é um torturador [porque manda pessoas para o inferno]. Infelizmente, de acordo com a Revista Christianity Today, tortura é sempre errado (referência). O fato de um Deus perfeito fazer algo que é sempre errado mostra a contradição. Foi dito por um leitor que o inferno não envolve tortura. “O inferno é nada mais do que uma separação de Deus, não um lugar ardente de tortura”, de acordo com o leitor. [Isto está em desacordo com muito textos bíblicos] (Mt 3.12, 13.41,42,49,50)

Este argumento sugere a ideia (errada) de que Deus está sujeito às mesmas restrições e obrigações morais que nós. Isto não é verdade por várias razões. Eu já dei o exemplo no parágrafo anterior, em relação ao assassinato. O mesmo pode ser pensado para algumas outras atitudes. Deus sabe qual é a forma mais justa de punir alguém por uma ofensa tão grande quanto negar ao Deus todo-poderoso. Pode ser que esta forma mais justa seja algo que é proibido ao ser humano fazer por que lhe faltam direitos para isso. Mas Deus possui todos os direitos sobre a vida e a humanidade. Eu não estou falando exatamente de tortura. Na verdade, é correto afirmar que o inferno está relacionado à separação de Deus. Mas ele também está associado à punição pelos pecados. A Bíblia não entra em detalhes sobre como se dará esta punição, pode ser que esta ideia de fogo nos textos bíblicos seja apenas uma metáfora. Leia mais sobre o inferno nos links que se encontram na prova # 21.

Prova # 17 – Pense em Leprechauns 

Muitos crentes dirão: “É impossível para você provar que Deus (Alá, Rá, Vishnu, o que for) não existe. Não há maneira de provar que algo não existe.” Este é um argumento bobo pela seguinte razão.
 
Imagine que temos uma conversa um dia e eu digo a você: “Eu acredito na gerflagenflopple. Você não pode provar que o gerflagenflopple não existe, portanto, existe.” Você pode ver que isso é ridículo. (…) Tem de haver alguma evidência de que o gerflagenflopple existe para afirmar a sua existência. Como não existe, é muito fácil dizer que o gerflagenflopple é imaginário.

Nenhum crente (cristão, pelo menos) na história defendeu este tipo de argumento: “É impossível provar que algo não existe; é impossível provar que Deus não existe; logo, Deus existe”. Na verdade, o que tem acontecido hoje em dia é justamente o contrário. Uma camada popular de ateus geralmente usa a assertiva “Não se pode provar que algo não existe” para fugir do ônus da prova de justificar o seu ateísmo. Mas esta afirmação é falsa. Veja o artigo Sobre Deus como causa e o ônus da prova para mais detalhes. Agora, é verdade que é impossível provar (cientificamente) que Deus não existe, assim como também que Ele existe. Explicarei melhor a seguir.

Você realmente já ouviu falar de Leprechauns. Há vários livros, filmes e contos de fadas que lidam com Leprechauns. (…) Não há nenhuma evidência física para a existência de Leprechauns.  (…)Portanto, é óbvio para qualquer pessoa normal que Leprechauns são imaginárias. Se você pensar sobre isso, você vai perceber que não há diferença entre Deus e os duendes. Muita gente fala de Deus como se Ele existe, mas não há real evidência para a existência de Deus. Por exemplo:

 
Não há absolutamente nenhuma evidência indicando que Deus existe. Há uma enorme quantidade de evidências empíricas de que Deus não existe. Portanto, podemos dizer conclusivamente que Deus não existe. Essa é a única coisa que uma pessoa racional pode dizer.

Na verdade aqui no Brasil os Leprechauns não são muito conhecidos. Acima há uma imagem de um para que você possa reconhecê-lo. Leprechauns são algo como duendes, personagens do folclore da Irlanda, que segundo a lenda aparecem quando se acha um trevo de quatro folhas e são guardiões de tesouros escondidos, eventualmente potes de ouro. Mas comparar Deus com um Leprechaun é uma falácia, por uma série de motivos. Deus é definido com um Ser metafísico, enquanto o Leprechaun é um ser físico. Portanto, as maneiras de provar sua existência e o tipo de evidências esperadas para os dois são coisas completamente diferentes. Veja o infográfico Refutando o Argumento do Dragão na Garagem.

Como eu disse anteriormente, é impossível provar pela ciência que Deus existe ou não existe porque qualquer afirmação sobre Deus é feita no plano metafísico, que está fora do escopo do método científico. Mas isto não quer dizer que não há nenhum motivo racional para acreditar em Deus. As “evidências” que possuímos para acreditar em Deus são do mesmo tipo das evidências que temos para acreditar em qualquer outra afirmação metafísica, como por exemplo “existe um mundo real externo aos nossos corpos” ou “o passado é real, não é apenas uma ilusão da minha mente”. Para mais detalhes, leia o artigo em três partes “Afinal, existem evidências para a existência de Deus?“.

Prova # 18 – Imagine o céu 

Se você conversar com um cristão sobre o céu, você pode entender claramente que a noção de céu e  vida eterna é imaginária. Cada conversa será diferente, mas uma conversa típica pode ser algo assim:
 
Ateu: As pessoas desaparecem completamente [no arrebatamento]?
 
Cristão: Sim. Tudo o que é deixado para trás é suas roupas, suas jóias e seus aparelhos auditivos! Os crentes são transportados diretamente para o céu!
 
Ateu: Seus corpos nus são transportados para o céu?
 
Cristão: Sim!
 
Ateu: Há seis bilhões de pessoas no planeta. Cada um deles pesa cerca de 70 quilos ou mais. Você está me dizendo que Deus leva cerca de quatrocentos milhões de toneladas de carne humana fora do planeta em um instante?
 
Cristão: Absolutamente não! Só os crentes são transportados!
 
Ateu: OK, cem milhões?
 
Cristão: Sim!
 
Ateu: E para onde é que estes cem milhões de toneladas de carne de vão?
 
Cristão: Para o céu!
 
Ateu: Para o céu … onde é isso?
 
Cristão: É em outra dimensão, é claro! Deus vive no céu!
 
Ateu: Como todos os corpos chegam a esta “outra dimensão” chamado “céu”? Será que eles flutuam para o céu e, em seguida, viajam através do vácuo do espaço?
 
Cristão: Não, seu bobo! Eles são desmaterializados e então rematerializados no céu!
 
Ateu: Então você está dizendo que 100 milhões de toneladas de carne humana nua estão de alguma forma “desmaterializados” fora do nosso universo, e então eles “rematerializam” em “outra dimensão” chamado “céu?” E o processo de “desmaterialização” de alguma forma distingue entre carne humana natural e as coisas não naturais, como roupas e aparelhos auditivos?
 
Cristão: Sim!
 
Ateu: Então… que se a pessoa tem válvulas cardíacas artificiais, próteses e duas articulações do quadril de titânio? São as arrancadas de seu corpo e deixadas para trás com suas jóias?
 
Cristão: Sim!
 
Ateu: E o que acontece com essa pobre pessoa, cujo coração entra em colapso e cujas pernas estão agora debatendo em torno separado da sua pélvis?
 
Cristão: O livro realmente não falar sobre isso … Eu imagino que Deus iria corrigi-los!
 
Ateu: E sobre todas as pessoas cujos corpos são devastadas com câncer e aids e enfisema?
 
Cristão: Deus corrige todos eles também!
 
Ateu: E quanto a todos os corpos decrépitos de oitenta anos de idade ou mais?
 
Cristão: Deus dá-lhes novos, jovens, belos corpos!
 
Ateu: E sobre todas as pessoas cujos corpos morreram e decompostos?
 
Cristão: Deus lhes dá jovens, novos, corpos bonitos também!
 
Ateu: Então por que se preocupar transportar os corpos dos crentes para o céu? Porque não basta dar a todos um novo corpo, jovem e bonito e deixar os seus antigos na terra?
 
Cristão: A Bíblia diz que seu corpo é transportado para o céu! Esta é a vontade de Deus!
 
Ateu: OK, então o céu está cheio de pessoas cujos corpos ou cadáveres ou seja lá o que for que foram “desmaterializados” da terra, e então “rematerializados” no céu. E então os corpos desmaterializados / rematerializados são descartados, e eles são substituídos por novos, jovens e belos corpos?
 
Cristão: Sim! Agora você entende o poder do Senhor Jesus Cristo!
 
Ateu: O que acontece depois?
 
Cristão: Os crentes vivem todos no céu em harmonia, paz e alegria por toda a eternidade!
 
Ateu: Como é o céu?
 
Cristão: Nós começamos a reunir com todos os nossos amigos mortos e familiares! Encontramos nossos antepassados pela primeira vez!
 
Ateu: Sério?
 
Cristão: Com certeza!
 
Ateu: E quanto às pessoas como George Washington e Benjamin Franklin?
 
Cristão: Todo mundo está lá! Você pode falar com qualquer um em toda a história! Além disso, você começa a conhecer Deus e Jesus. Eu mal posso esperar para conhecer Jesus!
 
Ateu: Isso parece divertido. O que mais?
 
Cristão: Bem, as ruas são pavimentadas de ouro! Está escrito na Bíblia! E todo mundo tem uma casa grande! E você pode comer o que quiser e não engordar! E realmente, você só faz coisas que te deixam feliz! Todo mundo está sempre feliz!

…E assim por diante.

Depois de ouvir uma conversa como essa, deveria ser óbvio para todos nós: O Céu é imaginário. É tudo completamente imaginário.

Fora o fato de que o personagem cristão do diálogo fictício é extremamente caricaturizado, ele fala muitas coisas que não condizem com o que está escrito na Bíblia, ou seja, o céu do qual ele está falado é realmente algo imaginário! Que veio da imaginação dele, e não da Bíblia.

Para começar, o arrebatamento não é algo que sempre foi ensinado por todos os cristãos. Nem todos os segmentos cristãos pregam a doutrina do arrebatamento. O que é comum ao ensinamento de todos os cristãos em todas as épocas é que Jesus voltará fisicamente à terra num futuro próximo, todos os homens serão julgados e alguns viverão eternamente com Jesus, enquanto outros serão condenados. 

Em segundo lugar, a Bíblia não dá tantos detalhes sobre o “fim do mundo” quanto foi alegado no diálogo. Fora os pontos-chave que eu citei acima, quase todo o resto é pura especulação de como será o céu. Muitas coisas no Livro de Apocalipse estão escritas em uma linguagem altamente simbólica. Por isto, as alegações do personagem cristão são completamente irrelevantes a despeito do que o cristianismo ensina.

Em terceiro lugar, se o cristianismo afirma que Deus é todo-poderoso, não haveria nenhum problema se tudo acontecesse exatamente da maneira que o personagem descreveu. Por mais que pareça implausível, Deus é todo-poderoso, e nada se torna implausível perante Seu poder (embora eu não acredite que será exatamente assim como o personagem descreveu).

Há também o absurdo que vem quando você compara os dois pontos de vista das pessoas sobre o céu. Para alguns se trata de harpas, nuvens e auréolas na cabeça. Para outros, envolve virgens atraentes. Para algumas pessoas, o corpo real é transportado magicamente para o céu. Para outros, sua “alma” flutua para fora do corpo em direção a São Pedro. E assim por diante. As pessoas fantasiam qualquer coisa que elas gostam, porque o céu é um lugar completamente imaginário.

O fato de as pessoas imaginarem o céu de formas diferentes é uma consequência direta de haver pouco conteúdo na Bíblia que trate do assunto de forma clara. Todo o resto se torna especulativo, e aí entra a imaginação de cada um. Mas eu acho isto algo bom. O homem sempre é movido pela curiosidade a respeito do que não sabe.  

Prova # 19 – Observe que você ignora Jesus 

Jesus fez uma série de declarações muito claras sobre dinheiro e riqueza na Bíblia. Por exemplo:
 
Mateus 6:19
Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões minam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não arrombam e furtam. Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará o seu coração também.

Lucas 14:33
Qualquer um de vocês que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo.

Mateus 6:24
Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se devotará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.

Mateus 19:21-24
Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vai, vende seus bens e dar aos pobres, e terás um tesouro no céu. Em seguida, vem e segue-me.” Quando o jovem, ouvindo isto, retirou-se triste, porque tinha muitas riquezas. Então disse Jesus aos seus discípulos: “Eu vos digo a verdade, é difícil para um rico entrar no reino dos céus. Outra vez vos digo, é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um homem rico entrar no reino de Deus. “

Mateus 19:28-29
Jesus disse-lhes: “Digo-vos a verdade, a renovação de todas as coisas, quando o Filho do Homem senta-se no seu trono glorioso, vocês que me acompanharam também sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todos que tem casas à esquerda ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos ou campos por minha causa, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.

Lucas 9:23-25
Então ele disse a todos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, mas quem perder sua vida por mim, esse a salvará. . O que é que é bom para um homem ganhar o mundo inteiro, e ainda perder ou perder a sua auto muito?

Mateus 13: 22
Aquele que recebeu a semente que caiu entre espinhos é o homem que ouve a palavra, mas a preocupação desta vida eo engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera.

Hebreus 13:5
Mantenha sua vida livre do amor ao dinheiro e se contentar com o que você tem, porque Deus disse: “Nunca te deixarei,. Nunca te desampararei”

Filipenses 2:3
Não fazer nada por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.

Atos 2:44-45
Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, conforme tinham necessidade.

A mensagem é clara. Se você quer seguir Jesus, é preciso “vender seus bens e dar aos pobres.” É uma mensagem muito simples, e fácil de fazer. Já fez isso? O fato de que você está lendo esta página que indicaria que você não tem. Provavelmente, você possui um computador, paga por uma conexão com a Internet a cada mês, vivem em uma casa ou apartamento, etc. Em outras palavras, você vive uma vida em um nível de riqueza inimaginável no tempo de Jesus. Enquanto isso, bilhões de pessoas no planeta vivem na pobreza. Por que você não vende tudo e seguir Jesus, como ele pede na Bíblia? A razão é simples: Jesus e Deus são imaginários, e você sabe disso. Se Jesus fosse real, você faria o que ele diz.

Note que nenhum dos textos citados acima condena o dinheiro em si. Quando a mensagem é de reprovação, ou aparece a palavra “riquezas” ou “ambição” ou “amor ao dinheiro”. Todos vão concordar que isto é claramente condenado pela Bíblia. Mas não há nenhum texto na Bíblia que condene a posse de dinheiro. Pelo contrário, a Bíblia exalta o trabalho e diz que é honra para o homem receber o fruto das suas obras.

O autor argumenta que todos vivem hoje em dia num nível de riqueza inimaginável nos tempos de Jesus, mas isto é irrelevante porque o conceito de riqueza é relativo. O padrão de o que era considerado riqueza naquele tempo não é aplicável aos dias de hoje. Mas eu concordo que um dos problemas mais sérios hoje em dia é a distribuição desigual de fonte de renda entre as parcelas da humanidade. Deveria ser uma missão dos cristãos amenizar este problema no mundo. O último texto que o autor citou é um ótimo exemplo de como os cristãos faziam isto no início, eles repartiam suas posses igualmente entre si. Mas note que eles faziam isto voluntariamente, não há nenhum tipo de mandamento que os tenha obrigado a fazer exatamente aquilo nem que nos obrigue a fazer isto hoje.

Veja mais alguns textos que o autor não citou:

 ‎”(…) o AMOR AO DINHEIRO é a raiz de todos os males.” (1 Tm 6.10) (e não a posse do dinheiro ou de bens em si);

“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não secompadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus?” (1 Jo 3.17) (não há nada escrito aqui sobre “vender tudo o que possui”);

A parábola do mordomo infiel (Lc 16.1-13): nela, Jesus ensina como os bens materiais e o dinheiro devem ser bem utilizados, em vez de acumulados ou esbanjados em prazeres.


Prova # 20 – Observe a sua igreja 

[Releia as declarações sobre riqueza na prova #19.] 

A contradição é surpreendente. Em nenhum lugar nos ensinamentos de Jesus é sugerido que os cristãos devem comprar terras e construir igrejas. Jesus não sugeriu a acumulação de bilhões de dólares em barras de ouro. Cristãos deveriam supostamente vender tudo e dar o dinheiro aos pobres, de acordo com Jesus. No entanto, congregações religiosas fazer exatamente o oposto em uma base regular. Construir um grande santuário é um exercício de vaidade, egoísmo e orgulho humano. Esses atributos são o oposto das prescrições de Jesus e todos sabem disso.
 
Congregações e igrejas ignoram deliberadamente os ensinamentos de Jesus, porque eles sabem que Jesus é imaginário.

Há realmente um problema sério dentro de muitas igrejas hoje em dia: ignorando os conselhos de Jesus, pessoas são seduzidas pelo amor ao dinheiro e tornam o evangelho uma maneira acumular capital para si mesmas. Isto é algo totalmente reprovável, e mostra apenas que a Igreja é formada de pessoas, e que todos somos suscetíveis a errar. 

Mas o simples fato de construir um prédio e arrecadar dinheiro, que é o que todas as igrejas fazem normalmente, não é em si errado. É desejável que haja um lugar para os crentes se reunirem, e geralmente o dinheiro arrecadado é utilizado para pagar despesas básicas da igreja, sustentar pastores que se dedicam integralmente ao serviço eclesiástico e membros carentes e realizar obras sociais na comunidade. 

O problema, principalmente no Brasil, é que hoje em dia os evangélicos são conhecidos por causa do que aparece na mídia a respeito deles. E os evangélicos que gostam de aparecer na mídia são justamente os mais famosos por se aproveitarem do dinheiro das pessoas. Existem muitas igrejas por aí, algumas desconhecidas da maioria das pessoas, que usam o dinheiro de forma sábia e transparente (e eu participo de uma destas igrejas). 

Prova # 21 – Entenda o cerne da mensagem de Jesus
Pense por um momento sobre a declaração abaixo:
 
“Olá, meu nome é Jesus. Eu te amo profundamente. Eu te amei desde que você foi concebido no ventre e eu vou te amar por toda a eternidade. Eu morri por você na cruz porque eu te amo tanto. Eu desejo ter um relacionamento amoroso e pessoal com você. Vou responder todas as suas orações através do meu amor. Mas se você não ficar de joelhos e me adorar, e se você não comer meu corpo e beber o meu sangue, então eu vou INCINERAR você com uma dor inimaginável no fogo do inferno por toda eternidade MUAH HA HA HA HA HA! “

Sim, esta é a mensagem central do cristianismo. Veja João 6:53-54 e Marcos 16:16. Pense sobre essa mensagem. Nós temos um ser que, de acordo com o Modelo Padrão de Deus, encarna o amor. No entanto, se você não ficar de joelhos e adorá-lo, você será fisicamente torturado por toda a eternidade. Que tipo de amor é esse?

Esta “prova” remonta o velho argumento ateísta de que o inferno é incompatível com o amor de Deus. Eu escrevi extensamente sobre este assunto nas páginas do blog. Para entender porque esta descrição do cristianismo é uma caricatura infiel e como o inferno é compatível com a bondade e a justiça de Deus, leia os artigos abaixo:

Prova # 22 – Conte todas as pessoas que Deus quer matar 

Se você olhar na Bíblia, há um número surpreendente de pessoas que Deus quer que seus seguidores o matem. Por exemplo, em Êxodo 35:2 (…)

Em outras palavras, se realmente ouviu o que Deus diz, seria preciso matar, pelo menos, metade das pessoas nos Estados Unidos amanhã. Afinal, Isaías 40:8 diz: “Os erva seca, a flor murcha, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre.” A palavra do Senhor nos diz para matar metade da população dos EUA.

Com isto voltamos de novo lá na prova # 13. Todos os mandamentos que o autor citou (eu poupei vocês de ler abobrinhas e cortei uma parte do texto) são aqueles do Velho Testamento que não são mais válidos para hoje. Não são válidos nem levando em conta este texto de Isaías colocado totalmente fora de contexto para justificar o frágil argumento apresentado.

Prova # 23 – Escute a doxologia 

A “Doxologia” é uma canção cantada em milhões de igrejas cristãs em todo o mundo todos os domingos. Ele abre com esta frase:
 
“Louvai a Deus, de quem fluem todas as bênçãos.”


Com essa frase, podemos provar que Deus não existe, assim como Papai Noel. Podemos provar que Papai Noel não existe em uma variedade de maneiras, mas aqui é uma maneira: notamos que ele traz montanhas de brinquedos para crianças ricas, deixando as outras crianças a morrer de fome. Da mesma maneira, podemos provar que Deus não existe, anotando o desequilíbrio de suas bênçãos. Se Deus existisse e distribuiu bênçãos conforme descrito na Doxologia, em seguida, as bênçãos seriam distribuídos uniformemente entre os seus crentes. E os não-crentes receberia nenhum. Como resultado, a mão de Deus, através de suas bênçãos, seria claramente visível para que todos possam ver através de análise estatística.
 
Vamos supor que Deus é real e que todas as bênçãos realmente fluxo dele. Se for esse o caso, então a extrema injustiça com a qual ele se dispersa suas bênçãos é uma prova positiva de que Deus é ridículo. Se todo o fluxo de bênçãos de Deus, então o fato de que Bill Gates possui bilhões dólares, enquanto 10 milhões de crianças morrerão de fome este ano é especificamente culpa de Deus. Isso é ridículo.

O autor, sob uma perspectiva materialista, interpreta a palavra “bênçãos” como algo puramente material ou financeiro. Mas as bençãos de incluem a própria vida, a saúde, a felicidade e principalmente a esperança da salvação. E certas coisas, Deus dá tanto aos crentes quanto aos não crentes. Leia por exemplo Mateus 5.44-45.

E o fato de Deus ser a origem de todas estas coisas não quer dizer que não temos nenhuma responsabilidade em ganhar o nosso sustento. Nós trabalhamos, nos esforçamos e recebemos o devido salário. Isto com certeza vem de nós, mas também podemos que vem de Deus porque, por exemplo, se não fosse Ele, não teríamos tido saúde para trabalhar ou não teríamos conhecido as pessoas certas para conseguir aquele emprego. Enfim, o que eu quero dizer é que existe uma certa parcela de coisas que depende de nós. Eu acredito que muito deste problema de desigualdade social que existe hoje em dia depende unicamente de nós resolver e somos quase que completamente responsáveis pela situação em que o mundo hoje se encontra.

Prova # 24 – Pergunte por que a religião causa tantos problemas 
Se Deus existisse, você não iria esperar que haja um benefício enorme para aqueles que seguem e lhe obedecem? Por que, em vez disso, vemos o contrário?
 
Por exemplo, há evidências crescentes de que a ilusão da religião causa disfunção social significativa. A investigação estatística está revelando os problemas que vão com a religião. Por exemplo, um recente artigo no Journal of Religion and Society pontua que a religião está correlacionada com as dificuldades sociais significativas que podemos ver na América. (…)
 
A visão predominante é que a religião é inofensiva mesmo que seja ilusória. Parece que não seja o caso. Os EUA são o país mais religioso dos estudados no mundo desenvolvido, e que também tem os maiores problemas em termos de coisas como homicídio, mortalidade juvenil e adulta precoce, as taxas de infecção de DSTs, gravidez na adolescência e aborto.

Analisar os problemas acima numa sociedade é algo por demais complexo, para ser creditado unicamente a fatores religiosos. Eu penso que, nos Estados Unidos, o que mais contribui para estas altas taxas é a cultura deles, que é extremamente liberalista, tanto nos costumes, quanto na política e na economia. Estes fatores são independentes da religião.

Me parece que o autor, ao tratar da questão, ignorou vários outros estudos recentes acerca da religião, como por exemplo estes aqui:

Prova # 25 – Compreenda a evolução e a abiogênese 
Recentemente, tem havido uma mudança notável na comunidade cristã: Muitos membros da fé cristã estão abraçando a evolução. (…) O interessante de entender é que quando você aceitar a evolução, o que você está fazendo é automaticamente rejeitando o conceito de uma alma. Aqui está o porquê: Assim que você aceitar que a evolução é verdadeira, você também aceitar que a história da criação na Bíblia é falsa. É mitologia pura. O conceito de “alma”, que vem do mesmo livro, é exatamente o mesmo tipo de mitologia.

Basta pensar através da lógica. O que a teoria da evolução diz é que todos os seres vivos neste planeta evoluiu através de um processo totalmente natural. Todas as espécies que vemos hoje é derivada de simples, organismos unicelulares ao longo de centenas de milhões de anos. Em outras palavras, não houve processo de criação sobrenatural para os seres humanos como descrito no livro bíblico de Gênesis.

Aqui está sendo dita muita bobagem. Primeiro, evolução não é o mesmo que naturalismo. A evolução, enquanto teoria científica, precisa pressupor o materialismo, mas não se provou até hoje que a evolução de todas as espécies como vemos hoje possa se originar de um processo totalmente naturalista (isto é, sem a intervenção de forças externas à natureza). Na verdade, a probabilidade de isto ter acontecido é algo tão ínfimo que ultrapassa os limites da nossa compreensão. Veja o artigo do filósofo Alvin Plantinga sobre o assunto: Evolução e Naturalismo – por que eles são como óleo e água.

Segundo, os cristãos não passaram a aceitar a evolução repentinamente, depois de ver que que a ciência não mais se encaixava em suas visões de mundo, como o autor sugere. A Bíblia nunca foi um livro com o objetivo de declarar verdades científicas. O texto escrito em Gênesis sugere de várias formas que ele não seja um relato literal dos fatos, principalmente porque o próprio autor não estava lá para testemunhar o que ocorreu. (Veja o artigo “Interpretação Literal do Gênesis?“) E o texto de Gênesis já era interpretado como não-literal desde São Agostinho, por exemplo, que em cerca de 450 d.C. sugeriu um processo de criação que lembrava em muito a teoria da evolução, cerca de 1400 anos antes de Darwin publicar sua teoria! Na verdade só depois que Darwin publicou e se criou uma espécie de guerra intelectual entre ateus e religiosos (que começou por parte dos ateus darwinistas) é que surgiu o fundamentalismo, corrente dentro do cristianismo que rejeita enfaticamente as descobertas científicas e dogmatiza muitos pontos da interpretação bíblica.

Terceiro, mesmo que a teoria da evolução seja verdadeira, ela não afirma nem nega nada em relação a existência de Deus. Como eu disse antes, a probabilidade de acontecer naturalmente é tão baixa que se torna até mais plausível que tal fenômenos tenha sido guiado por uma mente inteligente ao longo das eras. Veja o artigo “Evolução Darwiniana prova a inexistência de Deus?“.

De onde surgiu a primeira célula vem? Muitos crentes argumentarão que Deus magicamente criada a primeira célula viva. Isto, naturalmente, é bobagem. O princípio científico que descreve a origem da vida é chamado abiogênese . Da mesma maneira que não há sobrenatural estar envolvido na evolução, não há sobrenatural estar envolvido em abiogênese. Tanto a criação da vida e da evolução das espécies são processos completamente naturais.

“Abiogênese” é simplesmente o termo técnico para vida gerada a partir do não-vivo. O cientista Louis Pasteur comprovou no século XIX que organismos vivos só podem se originar de outros organismos vivos. Mas, para o ateísmo fazer sentido, isto não pode ser verdade. Por isso, os cientistas naturalistas procuram até hoje uma maneira de descrever a vida simplesmente por processos naturais. Até hoje o avanço feito nesta área não é conclusivo.

Muitos crentes dirão: “Isto é simplesmente falso. Mesmo que os seres humanos são o produto da evolução, os seres humanos ainda são especiais aos olhos de Deus. Deus manipulou o processo evolutivo de alguma maneira mágica a divinamente criar seres humanos, e Deus magicamente dá a cada ser humano uma alma no momento da concepção.”
 
Para ver a verdade, você precisa entender que todas as explicações que envolvem ” mágica “são falsas. O fato é que Deus não tinha absolutamente nada a ver com a criação da vida neste planeta nem com qualquer parte do processo evolutivo. Assim que você aceitar este fato, você percebe que você não tem alma. Deus é imaginário eo conceito bíblico de vida eterna é um conto de fadas.

Aqui o uso da palavra “mágica” é um trunfo do autor para apoiar o seu argumento. Mas não é bem assim. Mágica é um termo muito pejorativo, e denota claramente algo irreal. Mas mágica e ação transcendente ao Universo são conceitos filosoficamente diferentes. Muitas observações na biologia sugerem que as características dos seres vivos foram projetadas. E isso nos leva sim a concluir que pode haver um projetista por trás da vida, mesmo que não saibamos de que maneira ele colocou em prática suas intervenções. Isto é o mesmo que arqueólogos encontrarem restos de cerâmicas e construções numa escavação. Eles podem seguramente concluir que aqueles objetos se devem a uma ocupação antiga de um povo, mesmo que não façam ideia de quem eles eram ou como chegaram àquele lugar. O conceito de alma cai na mesma questão. Só porque não sabemos explicar o que é a alma, ou de que tipo de substância é feita, não quer dizer que ela é mágica. 

Prova # 26 – Observe que o autor da Bíblia não é “onisciente”
Por que o ao de ler a Bíblia não te causa admiração e reverência? Por exemplo, olhe que esta pequena coleção de versos da Bíblia:

“Quando pelejarem dois homens, um contra o outro, e a mulher de um chegar para livrar a seu marido da mão do que o fere, e ela estender a sua mão, e lhe pegar pelas suas vergonhas, então cortar-lhe-ás a mão; não a poupará o teu olho. ” Deuteronômio 25.11-12

 
“Então disse Judá a Onã: Toma a mulher do teu irmão, e casa-te com ela, e suscita descendência a teu irmão.Onã, porém, soube que esta descendência não havia de ser para ele; e aconteceu que, quando possuía a mulher de seu irmão, derramava o sêmen na terra, para não dar descendência a seu irmão. E o que fazia era mau aos olhos do SENHOR, pelo que também o matou.” Gênesis 38:8-10
 
 
“Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá.” Deuteronômio 21.18-21
 
 
“Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.” Levítico 20.13
 
 
“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.” 1 Timóteo 2.11-12
 
 
“Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Lucas 14:26



Estes versos soam um total absurdo, não é? Podemos encontrar milhares de versos como estes na Bíblia.
 
Então, somos forçados a fazer uma pergunta: Por que não um livro escrito por Deus não te deixa com um sentimento de admiração e espanto? Se você está lendo um livro escrito pelo Todo-poderoso, Onisciente, Criador Todo-amoroso do Universo, você não iria esperar que fosse chocado pelo brilho, a clareza e a sabedoria do autor? Você não esperaria que a cada nova página ficasse extasiado com a sua prosa e sua incrível visão espetacular?

A técnica usada aqui pelo autor é mais uma vez considerar textos fora de contexto aliados a um certo apelo emocional para tentar desvirtuar a atenção de quem estuda a Bíblia de forma séria e honesta. Em certos pontos, o autor fala como se a Bíblia fosse uma espécie de carta escrita por Deus para a humanidade, onde Deus revela (e tem a obrigação de revelar) todo o seu propósito e sabedoria para a humanidade. Mas qualquer estudante da Bíblia sabe que não é bem assim. 

A Bíblia não contém (pelo menos não em sua totalidade) textos escritos diretamente por Deus. A Bíblia é uma coleção de escritos de homens que relataram suas experiências com Deus ao longo da história. Os cristãos acreditam que o conteúdo da Bíblia foi inspirado por Deus, e não que ela foi escrita diretamente pelo divino. 

Analisando a Bíblia, vemos também que Deus, em sua sabedoria, não se revelou de uma vez para a humanidade. A sua revelação à humanidade foi feita de forma progressiva, de modo que o aprendizado sobre Deus e o relacionamento com Ele evoluiu na escala de gerações. Primeiro, Deus se revelou a Abrão, no Gênesis. Mas Abrão não conhecia quase nada a respeito de Deus. Não temos nem como saber se Abrão tinha consciência de que Ele era o Deus único, ou se ele achava que existiam outros deuses. Centenas de anos depois, Deus se revela a Moisés e declara que Ele é o único Deus. Deus precisa se fazer conhecido a um povo que passou centenas de anos subjugado e escravizado, e tem conhecimentos muito precários de ética e civilização. A Lei de Moisés revelava muito mais o caráter justo da Deus (olho por olho, dente por dente e outras coisas do tipo) do que o caráter amoroso (embora este estivesse presente em certos aspectos da Lei). Durante todo o velho testamento vemos Deus tentando ensinar o conceito de santidade ao povo, através destas leis. Quando Deus sabia que era o momento certo, Jesus veio à terra e deu ênfase ao caráter amoroso de Deus escondido na Lei de Moisés, quando os judeus já estavam preparados para receber esta mensagem e espalhá-la pelo resto da humanidade.

Ainda no Novo Testamento, há textos que são difíceis de entender hoje em dia, como este acerca dos direitos das mulheres. Mas nisto cabe o mesmo argumento do parágrafo anterior. Deus é sábio para não atrapalhar a curva de aprendizado da humanidade. Fazia parte do contexto cultural daquela época a mulher ser desprovida de certos direitos, e Deus sabia que o homem iria alcançar progresso neste conceito alguns séculos depois. Qualquer bom professor sabe que não é bom dar uma quantidade de conteúdo excessivo ao aluno de uma vez só, mas sim ensinar aos poucos, aumentando gradativamente o nível de dificuldade. Eu penso ser assim o relacionamento de Deus com a humanidade ao longo da história.

Prova # 27 – Pense em vida após a morte
Se você é um cristão, então Jesus promete que sua alma terá a vida eterna. (…) Mas você já pensou realmente sobre sua alma? Você já pensou sobre como funcionaria a vida após a morte? Quais as formas de vida terão uma vida após a morte e quais não?
 
Comece com uma bactéria. Será que ela tem uma alma e ele ter uma vida após a morte? Uma bactéria é uma membrana de célula cheia com uma variedade de moléculas. Estas moléculas reagem em conjunto de formas diferentes de criar o que chamamos de vida. Apesar de todas estas moléculas estão reagindo  de forma fascinante e entrelaçada, elas são nada mais do que produtos químicos que reagem. O “milagre da vida” não é nenhum milagre – é uma reação química grande. Quando essas reações pararem, a célula está morta.
 
Agora aqui está a questão: Quando a bactéria morre, ela tem ou não uma vida após a morte?

Não. A Bíblia promete a vida eterna para todo aquele que crê. Até onde sabemos, bactérias e outros animais a não ser o homem não possuem capacidade cognitiva suficiente para entender e crer no evangelho.

(…) O corpo humano não é nada senão um mero conjunto de reações químicas. As reações químicas que alimentam uma vida humana não são diferentes das reações que alimentam a vida de uma bactéria, um mosquito, um rato, um cão ou um chimpanzé. Quando um ser humano morre, as reações químicas param. Não há “alma” misturada com os produtos químicos, assim como não há alma em uma bactéria, um mosquito, um rato, um cão ou um chimpanzé. Por que haveria vida após a morte para os produtos químicos que compõem o corpo humano?
 
A noção de sua “alma” é completamente imaginária. O conceito de uma “alma” foi inventado pela religião, porque muitas pessoas têm dificuldade para enfrentar sua própria mortalidade. Isso faz as pessoas se sentir melhor, mas o conceito é uma completa invenção.

O autor tenta usar um raciocínio indutivo para provar que o ser humano não possui alma, assim como os outros animais. Isto seria verdade se fôssemos exatamente análogos aos outros animais. Mas não penso que seja este o caso. O ser humano é capaz de ter auto-consciência, senso moral, senso estético, capacidade cognitiva para planejar o futuro, entender o funcionamento da natureza a modificá-la a seu bel prazer. Estas e outras características são ausentes nos outros seres vivos, pelo menos na mesma intensidade em que estão presentes em nós. Portanto este raciocínio é inválido.

Além disso, o autor comete a falácia de inversão de planos ao tentar discutir a alma num contexto científico. Por definição, a alma é imaterial, portanto deve ser discutida no plano metafísico. A alma não é uma “substância misturada com os produtos químicos do corpo”. Existem áreas, como a filosofia da mente, que argumentam a existência de uma parte imaterial na mente humana, baseada em certas observações e conceitos.

Por último (e como não poderia faltar num típico texto neo-ateu), o autor usa a falácia genética dizendo algo do tipo “O conceito de alma faz as pessoas se sentirem melhor, logo é uma invenção”.  Explicar a origem de algo não prova que esse algo é falso. Eu poderia do mesmo jeito falar que “pessoas se tornam ateístas porque tem medo do inferno, logo o ateísmo é falso”. Este argumento comete a mesma falácia.

Todo o resto do texto do autor é claramente irrelevante depois do que eu falei aqui, ele repete o que ele falou em uma das provas anteriores, que tudo que se refere à mágica é ilusão, e blá blá blá, confundindo mais uma vez metafísica com mágica (talvez desonestamente de propósito). 

Prova # 28 – Observe quantos deuses você rejeita
Há literalmente milhares de religiões sendo praticadas hoje. Aqui estão 20 dos mais populares, juntamente com uma estimativa do número de seguidores:
 
Cristianismo: 2,1 bilhões
Islão: 1,3 bilhões
Hinduísmo: 900 milhões
Religião tradicional chinesa: 394 milhões
Budismo: 376 milhões
Tradicional Africano e diaspórica: 100 milhões
Sikhismo: 23 milhões
Juche: 19 milhões
Espiritismo: 15 milhões
Judaísmo: 14 milhões
Baha’i: 7 milhões
Jainismo: 4,2 milhões
Xintoísmo: 4 milhões
Cao Dai: 4 milhões
Zoroastrismo: 2,6 milhões
Tenrikyo: 2 milhões
Neo-Paganismo: 1 milhão
Unitarian-Universalismo: 800 mil
Rastafarianismo: 600 mil
Cientologia: 500 mil
[Fonte: Enciclopédia Britânica]
 
Se você acredita em Deus, você optou por rejeitar Deus, Vishnu, Budda, Waheguru e todos os milhares de outros deuses que as pessoas adoram outros hoje. É bastante provável que você rejeitou estes outros deuses sem nunca olhar para as suas religiões ou lendo seus livros. Você simplesmente absorveu a fé dominante em sua casa ou na sociedade em que você cresceu dentro
 
Da mesma forma, os seguidores de todas essas outras religiões optaram por rejeitar a Deus. Você acha que seus deuses são imaginários, e eles acham que o vosso Deus é imaginário.
 
Em outras palavras, cada pessoa religiosa na Terra hoje rejeita arbitrariamente milhares de deuses como imaginário, muitas das quais ele / ela nunca sequer ouviu falar, e escolhe arbitrariamente a “acreditar” em uma delas.

Este velho argumento também não poderia faltar na lista. É interessante que, por mais forte que ele pareça, ele é muito fácil de ser refutado. Eu ainda não escrevi um artigo sobre isto aqui no blog, mas há explanações detalhadas sobre ele aqui e aqui, por exemplo. Eu vou apenas resumir a refutação:

Primeiro, já que existem várias religiões, deve-se analisar quais são as possibilidades e qual delas é a mais coerente:

1. Todas as religiões são verdadeiras;
2. Algumas religiões são verdadeiras e outras falsas;
3. Uma religião é verdadeira e as restantes são falsas;
4. Nenhuma religião é verdadeira. 

A primeira opção é obviamente falsa, já que muitos ensinamentos das religiões são mutuamente exclusivos. Note também que, mesmo que a quarta opção seja verdadeira, isto não prova que o ateísmo é válido, porque a Filosofia analisa a questão da existência de Deus independente das religiões. Os argumentos filosóficos levam a crer que existe um Ser transcendente, imaterial e poderoso que criou o universo. O princípio da Navalha de Occam diz que é mais racional postular uma causa mais simples do que outra complexa para um dado efeito, quando isto é possível. Por isto nos parece mais coerente chegar à conclusão de que existe um Único Deus em vez de vários, já que apenas um é suficiente para explicar a origem do Universo.

Sobraram então as religiões monoteístas (que são menos do que dez, em comparação às centenas de outras). As religiões monoteístas também contém alguns ensinamentos incompatíveis entre si, considerando seus textos sagrados, por isso não podem ser todas verdadeiras ao mesmo tempo. Daí o próximo passo é verificar qual das revelações é mais coerente consigo mesma E com os argumentos filosóficos. A resposta a esta questão, até onde eu sei, é o cristianismo. Simples assim.

A seguinte citação de Stephen F. Roberts resume a situação muito bem:
 
“Afirmo que ambos somos ateus. Apenas acredito num deus a menos que você. Quando você entender por que rejeita todos os outros deuses possíveis, entenderá por que rejeito o seu.”
 
Uma pessoa racional rejeita todos os deuses humanos igualmente, porque todos eles são igualmente imaginários. Como sabemos que eles são imaginários? Basta imaginar que um deles é real. Se um desses milhares de deuses era real, então seus seguidores teriam experimentado benefícios reais e inegáveis. Estes benefícios seriam evidentes para todos. Os seguidores de um deus verdadeiro orariam, e suas orações serão respondidas. Os seguidores de um deus verdadeiro, portanto, viveriam mais, teriam menos doenças, teriam mais dinheiro, etc. Haveria milhares de marcadores estatísticos em torno dos seguidores de um verdadeiro deus.

Como se não estivesse cansado de usar falácias, o autor aqui usou mais algumas. Primeiro veio a clássica citação tosca de Stephen Roberts, que você pode ver como é ridícula apenas pensando: “se um cristão é ateu em relação a outros deuses, então uma esposa é solteira em relação aos homens que não seu marido”. Os conceitos de ateu e teísta são mutuamente exclusivos. Depois o autor voltou à falácia da prova # 2 dizendo que efeitos de oração e coisas do tipo podem ser analisadas cientificamente como se fossem fenômenos naturais. A este ponto eu já estou entediado, já foram 28 “provas” da inexistência de Deus e nenhuma até agora faz sentido.

Prova # 29 – Pense na Eucaristia
Porque os cristãos têm vindo a participar no rito da comunhão durante muitos anos, eles tendem a esquecer o quão bizarro é este ritual. A idéia de “comer o corpo de Jesus” e “beber o seu sangue” é grotesca ao extremo. Você já se perguntou onde este ritual veio, ou porque bilhões de pessoas participam de um ritual que é bizarro?  (…)
 
Para qualquer pessoa normal, [a descrição do ritual  da Eucaristia] soa muito parecido com o roteiro de um filme de terror horrível. Parece algum tipo de ritual satânico revoltante. Ele definitivamente não soa como as palavras do Criador todo-amoroso do Universo. Imagine que você é uma pessoa normal, e você nunca foi exposto ao cristianismo antes. Agora imagine que um cristão chega até você e cita João 6.53: “Jesus lhes disse: -Eu lhes digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos.” Qualquer adulto normal simplesmente acharia o cristão insano. Assim, você nunca vê um adesivo em um carro ou outdoor que diz “João 6:53”.
 
(…) O dicionário descreve canibalismo da seguinte maneira: A ingestão geralmente ritualístico de carne humana por um ser humano. O que Jesus está exigindo é o canibalismo. O que o seu senso comum dizer-lhe sobre tudo isso? 

Na verdade os ramos do cristianismo veem a eucaristia (ou ceia, ou comunhão) de formas diversas. Eu também acho bizarra a versão da Igreja Católica, de que o pão e o vinho se “transformam” no corpo e no sangue de Jesus, literalmente. As outras denominações cristãs veem este ritual como algo puramente simbólico. Ninguém está comendo Jesus, apenas estão fazendo algo em comum que simboliza o ato sacrificial de Jesus. Ao comer você mostra que está participando daquele ato, e ao mesmo tempo lembrando dele, lembrando de quando o próprio Deus se ofereceu para pagar a dívida da humanidade para com Ele. Não há nada de bizarro na ceia quando a vemos sob este ponto de vista. E, provavelmente, alguém que nunca foi exposto ao cristianismo não acharia este ritual estranho. As tribos isoladas de hoje em dia que nunca foram expostas ao cristianismo devem ter rituais muitos mais estranhos que isto.



Prova # 30 – Examine o sexismo de Deus
Se você gostaria de provar a si mesmo que Deus não existe, aqui é uma maneira fácil de fazê-lo: Procure lugares na Bíblia onde Deus é um idiota, um absurdo absoluto em vez de “sabe-tudo”, “todo-amoroso” , “totalmente iluminados”, o que ele supostamente seria. A contradição absoluta prova que Deus não existe.
 
Há muitas partes da Bíblia que mostram essas tendências. No entanto, se você é uma mulher, o lugar onde o absurdo de Deus se torna completamente claro é quando você olha para o sexismo de Deus.
 
“Como em todas as congregações dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas. Eles não estão autorizados a falar, mas estejam submissas, como diz a lei. Se querem saber mais sobre alguma coisa, eles devem pedir aos seus maridos em casa, pois é vergonhoso para uma mulher falar na igreja.” 1 Coríntios 14
 
“Mas eu quero que vocês entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, o cabeça de uma mulher é seu marido, e a cabeça de Cristo é Deus. Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça, mas qualquer mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça – é a mesma coisa como se sua cabeça estivesse rapada. Porque, se uma mulher não vai véu si mesma, então ela deve cortar o cabelo, mas se é vergonhoso para uma mulher ser tosquiada ou rapada, deixá-la usar o véu. Para um homem não deve cobrir a cabeça, pois ele é a imagem e glória de Deus, mas mulher é a glória do homem. (Porque o homem não foi feito da mulher, mas a mulher do homem. Nem o homem foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem.) É por isso que uma mulher deveria ter um véu na cabeça, por causa dos anjos.” 1 Coríntios 11
 
“Também que as mulheres devem adornar-se com modéstia e bom senso em vestuário decente, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos caros, mas com boas obras, como convém a mulheres que professam a religião. A mulher aprenda em silêncio, com toda submissão. Eu não permito que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre os homens, ela deve se manter em silêncio.” 1 Timóteo 2


Estas parecem ser passagens simples. E Deus é aquele que inspirou a Bíblia. Em Isaías 40:8 Deus diz que a palavra do Senhor vai durar para sempre, e ele diz a mesma coisa novamente em 1 Pedro 1:24-25. Então aqui temos Deus, na Sua Palavra eterna e eterna, dizendo que é vergonhoso para uma mulher falar na igreja. 

Mais uma vez aqui há a confusão sobre o que Deus fala e o que Deus inspirou. Os três textos mencionados são recomendações do apóstolo Paulo aos cristãos que viviam naquele tempo. Deve-se entender que o contexto cultural daquela época é totalmente diferente do de hoje, por isso Paulo não podia sugerir aos cristãos que se comportasse de uma maneira que fosse escandalizar as pessoas de fora. Por isso era considerado vergonhoso uma mulher falar em público, não usar véu ou usar adornos exageradamente. Talvez se Paulo ensinasse o contrário já naquela época poderia ter sido um ponto negativo para o cristianismo na época, ou aconteceria uma revolução cultural para a qual o mundo ainda não estaria preparado.

(…)


Alguma mulheres discípulos de Jesus? Não.
 
Algum dos anciãos no livro de Apocalipse mulheres? Não.

Algum dos livros da Bíblia escritos por mulheres? Não.

Se Jesus escolhesse mulheres para serem suas acompanhantes íntimas, como eram os discípulos, isso seria extremamente mal visto naquele tempo. Mas haviam muitas seguidoras mulheres, como Maria, Marta e Maria Madalena. Sobre Jesus, é interessante notar que Ele não falou diretamente sobre o valor da mulher, até porque Ele sabia que iria causar um escândalo cultural, em vez de uma mudança na mentalidade das pessoas. Entretanto, observa-se tanto nos ensinos de Jesus sobre o valor da vida humana em geral, quanto em seus diálogos e atitudes com algumas mulheres, que Ele deixou implícito em suas ações o valor da mulher. Ele ensinou da melhor maneira possível. À medida que as pessoas abraçavam e entendiam o cristianismo, percebiam o valor que a mulher tinha em relação a Deus. Mas o estigma sociológico era tão grande que a mulher só ganhou mais direitos muitos séculos depois. Ainda sim, veja-se aí que não é só o fator religioso que interfere, mas também políticos, econômicos, assim como os sociológicos.

No Livro de Apocalipse, são 24 anciãos, 12 representando as tribos de Israel (no tempo em que as tribos foram formadas, os representantes tinham que ser homens) e os 12 discípulos de Jesus (que eu já expliquei porque eram necessariamente homens).

Nos tempos antigos as mulheres mal sabiam escrever. É uma consequência lógica não haver livros bíblicos escritos por mulheres. Mas houveram muitas mulheres importantes na Bíblia, como por exemplo Eva, Sara, Rute, Ester, Maria, Lóide, etc.

Prova # 31 – Entenda que a religião é superstição
Digamos que você fosse criar uma rede de notícias longínqua, e você de alguma forma teve a capacidade de observar toda a tragédia inexplicável que ocorre na Terra a cada dia: todos os assassinatos, todos os acidentes de carro, todos os estupros, todas as mutilações, toda a tortura, todos os abortos e natimortos, toda a doença, toda a fome, toda a destruição, todo o terrorismo, etc.
 
Vamos dizer que você tenha um feed de notícias que entregue tudo isso para você em tempo real. Apenas dez minutos com este feed de notícias seriam insuportáveis. Milhares de eventos trágicos te atingiriam a cada minuto. (…) Em outras palavras, a quantidade de angustiante tragédia, angustiado em nosso mundo é indescritível.


Enquanto isso, há uma dona de casa em algum lugar que acredita firmemente que Deus respondeu sua oração nesta manhã para remover a mancha de mostarda de sua blusa favorita. Ela orou a Deus para ajudar com a mancha, e depois que ela lavou a mancha tinha desaparecido. Louvado seja Jesus! Há dezenas de milhões de pessoas nos Estados Unidos que acreditam firmemente que Deus está pessoalmente ajudando-os a cada dia com suas orações triviais como este. Elas acreditam que eles têm um relacionamento pessoal com Deus, que Deus ouve as suas orações a cada dia, e que Deus tem tempo para chegar para baixo e remova as moléculas de mostarda, um por um. Elas acreditam nisso com todos os seus corações.
Ele faz você se perguntar: Se Deus tem o tempo e a vontade para responder a essas orações triviais, então por que ele não tem tempo para os milhões de outros problemas graves que surgem maciçamente na terra todos os dias?

Diariamente, acontecem muitas tragédias neste planeta, não podemos negar isso. Entretanto, pense primeiro que provavelmente muitos destes acontecimentos devem-se a ações da justiça de Deus sobre coisas ruins que as pessoas fizeram. Deus é justo e pode estar punindo pessoas por alguma razão. Agora, pense também que Deus usa o sofrimento muitas vezes para testar a fé das pessoas, para ensiná-las a serem mais fortes ou mesmo para que elas se lembrem de Deus e possam chegar mais perto dEle. A partir daí você já eliminou uma grande parte destes acontecimentos ruins. Agora pense nas tragédias que você aparentemente não consegue explicar por nenhuma das razões acima. Por exemplo,  um assassino em série mata dezenas de pessoas numa cidade pequena. Será que cada uma daquelas pessoas merecia morrer? Provavelmente não. Podemos dizer que isto foi uma ação má do assassino e Deus não tem nada a ver com isso. Se você argumentar que Deus poderia ter impedido tal ação com um milagre ou algo assim, eu digo que se Deus impedisse todas as nossas ações ruins de forma milagrosa, este mundo seria nada mais do que uma tirania governada por um ser que não nos deixa expressar nossa livre-vontade, por mais ruim que ela seja. De fato, deve ser muito entristecedor para Deus ver estas coisas acontecerem, mas o amor é algo que exige a liberdade. Deus não pode nos amar se Ele nos obriga a agirmos de um modo ou de outro. Ele deseja que façamos as coisas do modo correto, mas permite que façamos do jeito errado se assim quisermos. Por isso, a outra parte das tragédias no mundo devem-se a erros humanos.

Sobre a oração da mancha de mostarda, eu não vejo nada de errado em fazer orações triviais em si. Mas parece haver algo errado quando nos concentramos nestes pedidos pequenos e muitas vezes egoístas, e nos esquecemos de orar pelo próximo, pelo nosso país ou pelas pessoas no mundo. E quando oramos, não quer dizer que o algo pelo qual pedimos vai acontecer (releia a resposta à prova #1), orar é um meio de se comunicar com Deus e desenvolver o relacionamento com Ele. Quanto mais oramos, mais aprendemos sobre como orar ou sobre o quê realmente devemos orar.

A exposição do autor ateu também parece supor que é uma espécie de obrigação de Deus resolver os problemas do mundo como a fome, a violência, desigualdade social, etc. Primeiro, eu penso que este mundo é governado por humanos (conforme as ordens de Deus em Gn 1.26), por isso a responsabilidade de muitas destas coisas cabe a nós, humanos. Temos toda a capacidade de acabar com estes problemas sociais, se seguirmos o modo de vida ordenado na Bíblia. Mas o fato é que, mesmo a maioria da população mundial sendo dita cristã, talvez a maioria não seguem o cristianismo na sua totalidade e essência. Segundo, o assunto que deve ser a prioridade em nossa oração não é sobre estes problemas, mas sim para que as pessoas cheguem ao conhecimento de Deus. Este é o objetivo da vida de cada ser humano. Todo sofrimento que passamos aqui na Terra é apenas uma parcela ínfima da nossa existência, segundo o cristianismo; é muito mais importante a parte da nossa existência após a vida terrena. 

Como o autor parte de um ponto de vista materialista, ele obviamente chega a conclusão de que o cristianismo é incoerente. Mas para provar isto logicamente, ele deveria primeiro supor as premissas do cristianismo para mostrar por absurdo que elas são incoerentes. Se ele supor a premissa do cristianismo de que nossa vida física é uma parcela irrelevante da nossa existência, sua argumentação sobre os problemas de sofrimento no mundo simplesmente caem por terra.

Prova # 32 – Fale com um teólogo
Você já reparou que quando você lê a Bíblia, que muitas vezes não faz sentido ? Por exemplo, você pode ler Mateus 17:20 e Jesus diz claramente: “Nada será impossível para você.” E ainda, você sabe de fato que esta afirmação está errada. Muitas coisas são impossíveis para você.
 
Se você perguntar a um cristão sobre esta discrepância, o cristão dirá: “Ah, você vê, você não está interpretando a Bíblia corretamente. Você precisa falar com um teólogo. Ele irá alinhar seu pensamento.”
 
Não é estranho que o Todo-poderoso, Onisciente, Todo-amoroso perfeito, Criador do universo escreveu um livro, mas ele era incapaz de escrever de forma clara, por isso precisamos de teólogos humanos para interpretá-lo para nós? Por que um deus perfeito dizer: “Nada será impossível para você”, a menos que ele quis dizer “Nada será impossível para você?” Certamente Deus sabe como os seres humanos interpretam frases. Então, por que ele não fala a verdade?

É impressionante a capacidade do autor de desconsiderar o contexto das afirmações de Jesus. Leiam Mateus 17.20 na íntegra:

“E Jesus lhes respondeu: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que,SE tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível.”

Note que a afirmação de Jesus é condicional. Mesmo que a afirmação “fé como um grão de mostarda” pareça algo pequeno, na prática podemos ver que não é. É muito difícil desenvolver tal nível de fé.

Além disso, não são só os teólogos os capazes de interpretar a Bíblia, mas também não são todas as pessoas do mundo que têm esta capacidade. A Bíblia é um livro de conteúdo espiritual, que para ser compreendido é necessário um discernimento espiritual que é dado à medida que desenvolvemos o relacionamento com Deus. É claro que o estudo teológico é também muito pertinente para desenvolver habilidades. 

O resto do texto (que eu poupei os leitores aqui de perder tempo para ver) contém um diálogo fictício ridículo com o teólogo no qual o personagem ateu usa novamente a técnica “eu acreditaria em Deus se acontecesse um milagre X após eu pedi-lo em oração”. Já vimos um pouco sobre isto na resposta das primeiras provas, mas eu recomendo uma exposição mais completa do assunto no artigo do blog Quebrando o Encanto do Neo-ateísmo.

Por que Jesus, que é supostamente o filho de Deus, diz: “Ame seus inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus”, em Mateus 5:44-45, mas, em seguida, dizer ” Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado [para o inferno]” em Marcos 16:16? Por que Jesus não ama os seus inimigos? Um teólogo pode explicá-lo, mesmo que a explicação faz absolutamente nenhum sentido.

Esta objeção supões mais uma vez que Deus está sujeito às mesmas obrigações morais que nós. Em muitos caos sim, mas neste é fácil de ver por que não. Vejam se a explicação faz sentido (ou não, como esperaria o autor…): Os seres humanos fazem inimigos muitas vezes por motivos fúteis, fazem guerra por diferenças de opinião, controle de bens produtivos, sentimentos de superioridade, etc. Mas todos nós somos semelhantes como seres humanos. Somos da mesma espécie, fomos criados para o mesmo propósito, por isso não faz sentido que hajam estas brigas. Mas Deus não está igual em nível com os humanos. Deus é o Criador e o supremo juiz da humanidade (e de todas as outras coisas e mundos que podem existir). Por isto Ele tem a obrigação de punir os inimigos, para que a justiça seja feita no Universo. Só Ele possui senso de justiça perfeito e pode garantir que não punirá alguém de modo incoveniente (o que já não acontece conosco).

O resto das objeções do autor (que mais uma vez poupei meus leitores de ler) são apenas repetições das provas anteriores, que já foram respondidas.

Prova # 33 – Contemple a crucificação

Alguma vez você já pensou em como bizarra a história da crucificação é? Imagine o todo-poderoso, criador onisciente do universo sentado em seu trono magnífico no céu. Ele olha para baixo na terra e diz para si mesmo:
 
“Esses seres humanos são maus lá em baixo na terra. Eu odeio o que estão fazendo. Todo esse pecado… já que eu sou Onisciente, eu sei exatamente o que os humanos estão fazendo e eu entendo exatamente porque eles cometem cada pecado. Já que criei os seres humanos à minha própria imagem e pessoalmente programei a natureza humana em seus cérebros, eu sou o autor direto de todos esses pecados. No instante em que os criei eu sabia exatamente o que aconteceria com cada ser humano até ao nível de nanossegundos por toda a eternidade. Se eu não gosto de como tudo iria acabar, eu poderia ter simplesmente mudado eles, quando eu os criei. E já que eu sou perfeito, eu sei exatamente o que estou fazendo. Mas eu ignoro tudo isso. Eu odeio todas essas pessoas que fazem exatamente o que eu perfeitamente designei para fazer e sabia que eles iriam fazer a partir do momento em que os criou. Eu odeio isso! Eu tentei matar todos os seres humanos e animais, uma vez no dilúvio. Isso certamente não corrigiu o problema.
 
Então aqui está o que eu vou fazer. Eu vou inseminar artificialmente uma virgem. Ela dará à luz uma versão encarnada de mim. Os seres humanos acabarão por crucificar e matar o eu-encarnado. Isso, finalmente, vai me fazer feliz. Sim, enviando-me para baixo e com os seres humanos me crucificando – eu me sinto muito melhor agora.”
 
Não faz sentido, não é? Por que um ser onisciente precisa ter matar seres humanos (Jesus é Deus, afinal) para se fazer feliz? Principalmente porque é um Deus perfeito que defina a coisa toda em movimento exatamente do jeito que ele queria? Toda a história da crucificação é um absurdo de cima para baixo se você realmente parar para pensar sobre isso.

A suposição da mente de Deus feita pelo autor contém muitas verdades misturadas com meias-verdades e vários absurdos. É sempre perigosos tentar fazer uma suposição da mente de Deus, porque nossa capacidade mental é infinitamente inferior à dEle, portanto sempre estaremos considerando seus desígnios de modo limitado. Mas tentarei fazer algumas correções, na medida do possível:

Já que criei os seres humanos à minha própria imagem e pessoalmente programei a natureza humana em seus cérebros, eu sou o autor direto de todos esses pecados.” Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, mas o ser humano não é perfeito, no sentido de ser corruptível. E de fato, o ser humano perdeu parte deste caráter divino quando pecou. A natureza humana desde então age de forma contrária ao desígnio de Deus. Mas será que então Deus é responsável por nos ter feito capazes de pecar ou por ter permitido que pecássemos? Não seria melhor Deus ter nos deixado eternamente naquele estado de pureza e felicidade no Éden (o que equivaleria a nos ter criado diretamente no céu)? Sobre estas perguntas, interessantíssimas, leia os artigos Por que Deus não impediu a Queda? ePor que Deus não nos fez direto no ceú?

Nestes textos se argumenta que é perfeitamente possível que o pecado do homem tenha feito parte do plano de Deus. Seria uma possibilidade intrínseca do fato de o homem possuir livre-vontade. Assim como o dilúvio de alguma forma também poderia estar. Temos que ser humildes para reconhecer que talvez não sejamos capazes de compreender todos os motivos pelos quais Deus realizou estas coisas.

E, por último, Deus não enviou Jesus para se sentir feliz. Pelo contrário, Ele fez isso para nos fazer felizes. Para provar seu amor pela humanidade, para que Ele mesmo pagasse a dívida que a humanidade fez para com Ele. Para oferecer de volta a vida, quando a humanidade escolheu a morte. Há realmente muito o que falar sobre isto, eu deixo para um artigo futuro que estou escrevendo. Quando estiver pronto, deixarei o link aqui.

Prova # 34 – Pense no seu plano de saúde
Aqui está uma pergunta: Se Deus responde às orações de cura, então por que você precisa de plano de saúde? Basta pensar sobre isso. Se o que Jesus diz sobre a oração na Bíblia é verdadeiro, e se todas as histórias sobre milagres médicos na literatura inspirada são verdadeiras, e se a sua crença em Deus e no poder da oração é verdadeira, e se Deus tem um plano para você, então por que você precisará visitar o médico ou ir ao hospital alguma vez? Por que você não simplesmente ora por uma cura sempre que você fica doente?
Quando as pessoas estão doentes, muitas vezes oramos a Deus por uma cura. Isto é especialmente verdadeiro no caso de profundas doenças potencialmente fatais e doenças crônicas. Nós ouvimos todas as histórias de curas incríveis e milagres médicos que vêm através da oração. Se Deus existe, e se Deus responde orações, e se Deus tem um plano para cada um de nós, então não há nenhuma razão em visitar um médico. Possuir plano de saúde é um completo desperdício de dinheiro. A razão é fácil de ver: Ou Deus vai ou não responder a qualquer oração para a cura. Se ele responder a oração, não há necessidade de um médico. Se ele não, então o plano de Deus é para você ficar doente. Uma vez que Deus é onipotente, nenhuma quantidade de estudo médico vai mudar o resultado do plano de Deus. Ver um médico é um desperdício de tempo.

Esta é uma maneira de pensar deveras fanática, se fosse assumida por algum cristão. O propósito do ministério de Jesus na terra e dos cristãos não é a cura das doenças físicas por prioridade. Jesus veio para tornar o acesso a Deus possível para toda a humanidade. Seus milagres foram apenas pequenas demonstrações do poder de Deus para fortalecer a fé das pessoas. Jesus mandou que os cristãos fizessem estas curas seguindo este mesmo propósito; não para erradicar todas as doenças da humanidade. 

Vemos exemplos na própria Bíblia de os apóstolos recomendando a ingestão de remédios em vez de curar sobrenaturalmente. Veja Timóteo 5.23, onde Paulo aconselha Timóteo a tomar um pouco de vinho, dado o valor medicinal que lhe era dado na época.

Eu vejo que o principal objetivo de Jesus em curar os leprosos, cegos, coxos, etc. era reinserí-los na sociedade. Os judeus tinham uma cultura muito purista, e essa parcela da população era frequentemente marginalizada. Jesus veio ensinar o valor que cada ser humano tem individualmente para Deus. E os cristãos deveriam continuar este trabalhando ensinando o valor à vida e o valor individual de cada ser humano, procurando sempre reinserir e reintegrar as pessoas. Hoje em dia, os doentes e deficientes físicos não sofrem tanta exclusão social quanto naquele tempo. Existem alguns que sofrem, por exemplo, viciados em drogas que vivem nas ruas, mas existem projetos de Igrejas cristãs aqui no Brasil que buscam reintegrar e tratar estas pessoas.

Com o tempo, a ciência médica veio se desenvolvendo, e deve-se notar que muito do desenvolvimento que houve ao longo dos séculos veio através de cristãos. As primeiras faculdades de medicina e os primeiros hospitais vieram através da Igreja Católica, porque cremos que Deus deu ao homem capacidade para entender a natureza e buscar meios naturais de tratar as enfermidades do corpo. Não existe nada de essencialmente mau ou de contrário à ordem divina na medicina ou nos remédios.

A falácia do autor vem já de princípio, quando ele fala sobre responder as orações e sobre o plano de Deus. Ele assume que o crente deve ter uma postura estática e conformista diante dos fatos: “estou doente, vou orar; se for curado, tudo bem, se não, era a vontade de Deus.” Isto é um absurdo. Deus pode providenciar meios de responder nossas orações através de nossas próprias obras. Devemos pedir a Deus aquilo que não está no nosso alcance, que é “impossível” para nós. Se estou com um resfriado, e tenho dinheiro para ir na farmácia comprar uma aspirina, eu tenho o dever de fazer isso. Ficar em casa parado pedindo a cura é desprezar o meio pelo qual Deus me deu condições de achar a cura: pois foi Ele que permitiu que eu tivesse saúde e um emprego, e trabalhasse para poder ganhar dinheiro para ter condições de comprar o remédio. Podem existir sim situações onde seria o “plano de Deus” alguma doença se instalar na vida de uma pessoa. Mas isto não quer dizer que a pessoa deve ficar parada aceitando o plano de Deus. Deus poderia estar fazendo aquilo para chamar a atenção da pessoa, e forçar com que ela se lembre de Deus e passe a falar mais com Ele. O autor está desprezando completamente o fato de que os cristãos assumem um relacionamento com Deus, e todas as suas ações devem girar em torno disso. Esta postura estática e simplista que o autor supõe deixa de levar em consideração muitos fatores e por isso cai nesta conclusão falaciosa.

Se você é um crente e se você tiver a sua Bíblia nas proximidades, nós podemos olhar para a sua política de saúde a partir de outro ângulo. Vire-se para Mateus 6:25-34. Jesus diz:
 
“Por isso vos digo, não se preocupe com sua vida, o que haveis de comer ou beber, ou sobre o seu corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais importante que o alimento, e o corpo mais importante que a roupa? Olhai para as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros, e contudo, vosso Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por se preocupar, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? E por que você se preocupam com roupas? Olhai para os lírios do campo crescem. Eles não trabalham nem fiam. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda sua glória se vestiu como um deles. Se essa é a roupa como Deus a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, ele não vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Então não se preocupe, dizendo: ‘Que comeremos?’ ou ‘Que havemos de beber?’ ou ‘Que vamos vestir?’ Até os pagãos correm atrás de todas estas coisas, e vosso Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Mas, buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias preocupações.”

A declaração de Jesus é absolutamente clara: “Portanto não se preocupe com o amanhã.” No entanto, o seguro de saúde é uma manifestação física de preocupação. Você compra o plano de saúde porque você está preocupado com sua saúde amanhã.

A maioria das formas de extremismo pode levar a uma cosmovisão prejudicial. Jesus estava preocupado aqui provavelmente com as pessoas que são por demais ansiosas, e que não consideram o cuidado de Deus quando planejam suas vidas. Existem dois tipos de preocupação: a preocupação saudável e a preocupação não-saudável. A preocupação não-saudável leva a uma ansiedade que é desnecessária se sabemos que Deus está cuidando de nós. Mas a quando não temos a preocupação saudável, somos pessoas imprudentes. Analise por exemplo estes textos que também foram ditos por Jesus:

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.” Mateus 7.24-25

“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.” Lucas 14.28-30

Note-se que aqui Jesus exalta os valores do homem prudente, que sabe realizar suas ações tendo em vista o que pode acontecer no futuro. Esta é a preocupação saudável que, assim como no outro caso, torna-se ruim se levada ao extremo.

Deus não usa somente de maneiras sobrenaturais para demonstrar seu cuidado conosco. Como o exemplo que usei anteriormente, Deus pode demonstrar seu cuidado nos dando força e vigor para trabalhar e condições para pagar um plano de saúde. Assim como pode dar saúde aos crentes que não têm como pagar um plano de saúde. Em todas essas situações, Deus pode estar cuidando deles.

Prova # 35 – Note a miopia de Jesus
Se você pensar em Jesus, você percebe que seu maior problema é um caso incrível de miopia. Podemos ver isso claramente quando nós olhamos para as ações de Jesus quando esteve na terra. A pergunta óbvia que qualquer pessoa inteligente é forçada a perguntar é a seguinte:
 
“Se Jesus é Deus, então por que Ele não usou sua onisciência e onipotência de realmente fazer algo magnífico e belo na terra em vez de desperdiçar o seu “poder”, como ele faz na Bíblia? Pense sobre todos os problemas que Jesus poderia ter resolvido. Pelo menos, Jesus poderia ter escrito passagens na Bíblia que teriam terminado o racismo, sexismo e escravidão para sempre.
 
Como o exemplo mais simples, acho que de todo o sofrimento que a escravidão causou. Milhões e milhões de pessoas sofreram com a escravidão ea brutalidade da escravidão notável porque Jesus e sua Bíblia totalmente apoiá-lo. Se Jesus tivesse simplesmente feito uma declaração clara – “A escravidão é proibida, livre todos os escravos” – ele poderia ter evitado todo esse sofrimento. No entanto, Jesus não fez nada do tipo. Em vez disso, Jesus aprovou a escravidão.

Já falamos sobre isto na prova #13, mas o autor gosta de ser repetitivo. Se você inda não leu, volte lá e leia.

Da mesma forma, Jesus poderia ter escolhido mulheres para seis de seus discípulos e fazer vários discursos sobre o tema da igualdade das mulheres. Ao fazer isso, ele teria colocado um fim no sexismo. Porque Jesus não fez isso, ainda vemos os efeitos do sexismo de Jesus em nossa sociedade hoje.

Já falamos sobre isto na prova #30, mas o autor gosta de ser repetitivo. Se você inda não leu, volte lá e leia. 

Em um nível mais amplo, se Jesus fosse Deus, ele poderia ter realizado milagres mais reais. Ele poderia ter, por exemplo, ter eliminado a varíola e uma série de outras doenças que a ciência está ocupada eliminando hoje. Jesus poderia ter dado ao povo de Israel o conhecimento de que eles seriam obrigados a iniciar uma sociedade tecnológica e elevar-se acima das condições de vida primitivas da época. Jesus poderia ter ensinado os israelitas sobre metalurgia, química, biologia, física, produção, matemática, medicina, engenharia, etc. Ele também poderia ter ensinado como usar essas tecnologias com responsabilidade para resolver os problemas de poluição e destruição do habitat, com os quais tanto sofremos hoje.

Jesus poderia ter feito declarações claras para impedir a proliferação nuclear.

Poderia ser dado o argumento que Jesus tentou resolver a pobreza, quando disse que você deve vender tudo que você possui e dê aos pobres. No entanto, ao dizer isso, Jesus mostrou uma completa incompreensão da natureza humana. Você conhece alguém que já vendeu todos os seus bens e deu o dinheiro aos pobres? Como resultado, metade das pessoas no planeta Terra hoje vivem em extrema pobreza, apoiando-se em menos de 3 dólares por dia. Em vez disso, Jesus poderia ter ensinado a humanidade efetivamente compartilhar a riqueza de modo que o grande problema da pobreza global que vemos hoje teria sido resolvido há muito tempo. Jesus poderia ter também estabelecido um modelo de governança que teria terminado monarquias, regimes ditatoriais e senhores da guerra para sempre.
Mais importante ainda, Jesus poderia ter feito a sua mensagem de forma clara, e  a prova de sua religiosidade tão óbvia, seria que todos as seis bilhões de pessoas no planeta teriam se alinhado com ele, ao invés de se fragmentar em dezenas de religiões estranhas e muitas vezes em guerra. Ao fazer isso, Jesus teria evitado completamente as Cruzadas e os atentados terroristas, entre muitas outras coisas.

Neste ponto Jesus fez o contrário. Ele alertou que, embora sua mensagem fosse de amor e de paz, a consequência da sua mensagem não seria o amor e a paz. O mundo iria rejeitar sua mensagem e com isso rejeitaria a Deus definitivamente. Seria dada uma quantidade de tempo para que as pessoas se arrependessem, e quando este tempo estiver cumprido, Ele voltará para recompensar os que foram fiéis à sua mensagem. Seria estranho se Jesus tivesse profetizado que após à vinda dEle, todas as pessoas se tornariam boas e finalmente se reconciliariam com Deus. Mas as coisas aconteceram exatamente como Ele falou, na minha visão isto é um ponto a favor da divindade dEle:

“Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”
Mateus 10.34

“Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores.
Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” Mateus 24.4-14

Por fim, todo este discurso do autor foi completamente irrelevante. Eu já deixei claro nas respostas às provas #33 e #34 qual foi o objetivo de Jesus ao vir à Terra. Ele veio ensinar de coisas espirituais, sobre as quais não tínhamos condições de saber sem Deus. As coisas humanas: a política, a ciência, a tecnologia, a economia são assuntos humanos e Deus nos deu a razão para estudar estas coisas, e já sabia que no devido tempo iríamos ter condições de descobrir estas coisas. Note que existem alguns princípios na Bíblia que regem a forma de como devemos ter a ciência (Deus é o Criador  e é fascinante e um dever da nossa razão estudar as obras de suas mãos), a tecnologia (Deus nos deu permissão de utilizar os recursos do planeta para o bem da humanidade em Gn 1.26), a política (Existem muitos exemplos de governantes justos na Bíblia, ela recomenda que oremos pelos governantes, etc.) e a economia (Todos devem receber o fruto merecido para o trabalho e desigualdades sociais são ruins). Mas o propósito principal de Jesus não era ensinar estas coisas porque é um ensinamento central do cristianismo que a vida que tenos aqui é uma parcela irrelevante em relação ao período de nossa existência. Devemos focar em buscar as coisas espirituais nesta vida, as coisas físicas são necessárias, mas são detalhes.

Prova # 36 – Perceba que Deus é impossível

Se você consultar o dicionário, aqui é a primeira definição de Deus que você vai encontrar:
 
“Um ser concebido como o perfeito, criador, onipotente e onisciente governante do universo, o principal objeto de adoração e fé em religiões monoteístas”.

A maioria dos crentes concordaria com esta definição porque eles compartilham uma visão extremamente clara e consistente de Deus. Sim, existem milhares de problemas menores sobre religião. Os crentes expressam essas minúcias em dezenas de denominações – presbiterianos, luteranos, católicos, batistas, episcopais, metodistas e tal. Mas no coração de tudo, a crença em Deus se alinha em um conjunto de idéias fundamentais que todo mundo aceita. E se você fosse simplesmente pensar sobre o que significaria se houvesse um perfeito, criador, onipotente e onisciente governante do universo? É possível tal coisa? Epicuro pensava sobre isso em 300 a.C., e ele veio com essa:
 
“Os deuses podem tirar o mal do mundo e não vai, ou, estar disposto a fazê-lo, não pode, ou que não pode nem irá, ou, por fim, ambos são capazes e dispostos Se eles têm a vontade de eliminar o mal. e não pode, então eles não são onipotentes. Se eles podem, mas não, que eles não são benevolentes. Se eles não são nem capazes nem vontade, então eles não são nem onipotente, nem benevolente. Finalmente, se ambos são capazes e dispostos a aniquilar mal, como é que ele existe? “

Em outras palavras, se você se sentar e pensar sobre quem Deus deveria ser, você percebe que esse é um ser impossível. Ridículo, na verdade.

A única coisa que é ridícula aqui é o paradoxo de Epicuro. Ele já foi cansativamente refutado por muitos filósofos ao longo dos séculos. Como uma refutação rápida, eu posso dizer simplesmente que o ateu, por definição, não acredita em valores morais objetivos (visto que eles só poderiam vir de Deus). Logo, o ateu não pode afirmar que o mal existe, o que é uma das premissas do paradoxo. Mas, se Ele afirma que existe o mal objetivo, ele está reconhecendo a existência de Deus, visto que se  mal existe, logo o bem também existe. Há uma refutação mais completa ao paradoxo de Epicuro no artigo: O Problema do Mal

A impossibilidade de Deus é visível aqui também: Com base em declaração de Jesus, vamos supor que você é uma criança e você está morrendo de fome na Etiópia. Você reza por comida. O que você espera que aconteça com base na declaração de Jesus? Se Deus existe como um todo-amoroso pai, onisciente e todo-poderoso – um “pai nos céus” – que seria de esperar de Deus para entregar comida para você. Na verdade, a criança não deveria ter que rezar. Pais normais fornecer alimentos para seus filhos sem os seus filhos têm que implorar para ele. No entanto, estranhamente, no planeta Terra hoje encontramos dezenas de milhões de pessoas morrendo de fome a cada ano.

Isto é mais uma parcela de um aspecto do Problema do Mal. Leia as outras partes do artigo que indiquei acima.

Outra maneira de abordar a impossibilidade de Deus é pensar sobre o conceito de onisciência. Se Deus é onisciente, então isso significa que ele sabe que cada coisa que acontece no universo, tanto agora como no futuro infinitamente. Você tem livre arbítrio em um universo? Claro que não. Deus sabe tudo que vai acontecer com você. Portanto, no instante em que foste criado, Deus sabe se você está indo para o céu ou inferno. Para criar alguém sabendo que essa pessoa vai ser condenado ao inferno por toda a eternidade é o epítome do mal.

Não existe amor sem voluntariedade. Ninguém ama alguém obrigação. Se Deus ama suas criaturas e quer que elas o amem também, é necessário que estas criaturas tenham livre-vontade. Mas se Deus cria seres com livre-vontade, Ele não pode determinar que tais seres o amem. Isto é algo auto-contraditório, assim como não pode existir um triângulo de dois lados. Se ele criou um determinado número X de pessoas com livre-vontade, necessariamente existe uma probabilidade diferente de zero que algumas pessoas não o amem e se rebelem contra Ele. Este é um problema muito simples de ser resolvido. A única questão que o ateu poderia reclamar aqui é sobre a onipotência de Deus. Deus não tem capacidade de criar coisas logicamente contraditórias? Para uma exposição do assunto, leia o Ensaio de C. S. Lewis sobre a onipotência e Sobre a Onipotência de Deus.

Aqui é outra maneira de compreender a impossibilidade de Deus. Se você olhar para a definição de Deus, você pode ver que ele é definido como o “criador e governante do universo”. Por que o universo precisa de um criador – um criador? Porque, de acordo com a lógica religiosa, o universo não pode existir a menos que tenha um criador. Um crente dirá, “nada pode existir a não ser que seja criado” No entanto, imediatamente se constrói uma contradição, porque temos de saber então quem criou Deus. Para o crente, a resposta para isso é simples – “Deus é a única coisa que não precisa de um Deus criador é atemporal e sempre existiu.”. Como pode ser que a tudo deve ter um criador, enquanto Deus não deve? A contradição na definição de Deus é palpável.

Aqui há uma mistura da falácia “Quem criou Deus” com uma incompreensão crônica do argumento cosmológico. Eu já escrevi exaustivamente sobre isto, você pode ler sobre o a falácia “quem criou Deus” no artigo Afinal, existem evidências para a existência de Deus?, e mais especificamente sobre o argumento no artigo “Então você acha que entende o argumento cosmológico?

Prova # 37 – Pense sobre DNA
Muitos crentes religiosos usam a existência de DNA como prova da existência de Deus. A lógica é mais ou menos assim: DNA contém informação. A quantidade de informação encapsulada em um único fio de DNA humano encheria 400 volumes do tamanho da Enciclopédia Britânica, e esta informação contém um modelo exato para a criação de um ser humano. Esta informação não se escreveu sozinha. A criação de informação requer inteligência. A criação de uma enciclopédia exige um autor – um Criador. Deus é o criador da informação no DNA.
 
Como vimos na prova #25, no entanto, não existe um “criador” de DNA. O criador é a evolução. Nenhuma inteligência é necessária para codificar DNA. Em vez disso, a informação no DNA é o resultado da seleção natural agindo sobre mutações aleatórias, e não as ações de um “ser” como Deus. O fato é que existem milhões de cientistas que se reuniram bibliotecas inteiras cheias de informações mostrando que a evolução é o lugar onde todas as espécies na Terra veio. Milhares de membros do clero assinaram um carta afirmando sua crença em todas estas evidências científicas.

É uma mentira totalmente deslavada dizer que que o “criador” do DNA é a evolução. A teoria da evolução explica a propagação da informação, mas não explica a origem da informação. As teorias biológicas para a origem da vida até hoje estão incompletas. Mas é válido notar que é mais plausível que as mutações tenham sido conduzidas por um projetista inteligente do que acontecido ao acaso, pois é um absurdo afirmar, em termos de probabilidades, que a configuração complexa e complementar que temos na biodiversidade de nosso planeta tenha surgido por fatores aleatórios. (Leia o artigo A evolução darwiniana prova a inexistência de Deus?). Portanto, veja que a evolução não necessariamente deve ser naturalista; na verdade a evolução naturalista é algo implausível, filosoficamente falando (veja o artigo Evolução versus Naturalismo).

Isso prova que Deus não existe? Não. No entanto, muitos crentes usam a existência de DNA como prova “incontestável” que Deus deve existir. 

A existência do DNA não é uma “prova irrefutável” da existência de Deus. Mas é uma evidência forte. 

Nós podemos cientificamente e irrefutavelmente mostrar que a natureza, ao invés de algum “Deus”, criou toda a informação codificada no DNA.

Isto mais uma vez é mentira. Isto nunca foi provado até hoje, e está bem longe de ser, pelo que parece. Preste atenção, mais uma vez, as teorias da origem da vida não têm nada a ver com a teoria da evolução.

AS OUTRAS RESPOSTAS NÃO FORAM AINDA PUBLICADAS …sugiro que pesquisem por si mesmos. E leiam a Palavra de Deus (A BÍBLIA SAGRADA)

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